Exclusivo | Ex-Diretora adjunta da SESAP revela bastidores da Saúde e hostilidades da pasta contra o Hospital Policlínica | Parte 1

Em entrevista exclusiva, a ex-Diretora Adjunta da Secretaria de Saúde de Barbacena (SESAP), falou sobre seu trabalho na Saúde, sua demissão após sua denúncia de assédio e a sua preocupação com o cenário da Saúde pública, em especial com a intervenção no Hospital Policlínica

Barbacena, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Sim. CHEGOU O DIA. Aquele em que muitos de nós achamos que uma mensagem e um buquê de flores é suficiente para apagar o maltrato e a omissão que damos às MULHERES nos outros 364 dias do ano. Hoje é dia internacional da CORAGEM. 

Coragem de assuir riscos, coragem de ter a consciência limpa. Coragem de falar verdades que muitos de nós não queremos ouvir. Coragem de enfrentar um sistema para - em nome do povo que é quem realmente merece nosso compromisso - expor a construção de uma história para justificar uma revanche pessoal, ainda que isso comprometesse o bem estar e a assistência de toda uma população.

Neste dia 8 de março, o BarbacenaMais entrevista Ana Cristina Rigotti. Advogada atuante, Secretária do Instituto Rafaela Drumond, membro de vários conselhos municipais e comissões em defesa do cidadão, e ex-Diretora Adjunta da SESAP - Secretaria Municipal de Saúde - tendo tido um dos mais relevantes e elogiados papéis na defesa da população de Barbacena e região durante a pandemia da Covid-19.

ENTREVISTA COM ANA RIGOTTI, Ex-Diretora Adjunta da SESAP

Durante a pandemia da COVID-19, Ana Cristina Rigotti foi a força da SESAP junto aos hospitais num esforço conjunto para salvar vidas.

Em entrevista exclusiva ao BarbacenaMais, a ex-Diretora Adjunta da Secretaria de Saúde de Barbacena (SESAP), falou sobre seu trabalho na Saúde, sua demissão após sua denúncia de assédio e a sua preocupação com o cenário da saúde pública, em especial com a intervenção no Hospital Policlínica.

A advogada Ana Rigotti começou seu serviço na gestão municipal da Saúde em 2021, em plena pandemia da Covid-19. Atuou com ênfase na conciliação entre Saúde e Economia, conduzindo um comitê formado por membros do governo e da sociedade civil.

“Foi uma experiência, apesar de todo o cansaço e angústia de lidar com uma situação de crise mundial, muito enriquecedora do ponto de vista de compreender como a Saúde Pública só funciona em rede e com a participação social, uma das diretrizes mais importantes e essenciais do SUS.”

Ana Rigotti destaca que na época, era evidente a força emanada do diálogo e ajuste entre a gestão municipal, os profissionais da Saúde e os prestadores de serviço, no caso, os hospitais1

Quando a reportagem perguntou sobre os motivos de sua exoneração, a ex-Diretora Adjunta revelou que ela mesma nunca recebeu, efetivamente,  um feedback ou justificativa a respeito.

“Entendo perfeitamente que o cargo comissionado é de livre nomeação, não havendo, necessariamente, que haver uma justificativa para decisões nesse sentido.”  Mas, diante de sua dedicação ao trabalho que desenvolveu na secretaria e à sequência de acontecimentos que precederam sua demissão, Ana Rigotti diz acreditar que a razão tenha sido motivada por sua postura em questionar as atitudes que indicavam um relacionamento excessivamente rígido e inflexível com os hospitais.

De acordo com seu relato,  motivada pela busca de diálogo com os hospitais, a ex- diretora passou a realizar visitas aos prestadores, no intuito de ouvir e buscar soluções para um melhor ajuste no repasse de verbas do SUS às instituições e entender melhor suas dificuldades.

“Essas visitas foram autorizadas pelo chefe doo executivo, e ocorreram tranquilamente, até que iniciei a aproximação com a Policlínica.”

De acordo com seu relato, ela afirma ter percebido que após sua visita à Policlínica, ela passou a ser hostilizada por um ex-diretor2 da SESAP a ponto de sentir-se compelida a denunciar assédio moral, diante das atitudes com as quais passou a conviver.

“Por incrível que pareça, mesmo após tantas vitórias e conquistas extremamente recompensadoras e estimulantes no trabalho, o sentimento de dor e desestímulo se sobrepuseram. A meu ver, a punição que eu sofria e as acusações que me foram feitas eram totalmente desproporcionais à minha atitude de defender um hospital (Policlínica) da hostilidade que lhe estava sendo imposta.”

Perguntada sobre que tipo de hostilidade, respondeu que entendia como muito rígidas algumas imposições, como cumprimento de metas bastante difíceis e recusas em pagar por cirurgias realizadas.

“Uma das reuniões que mais me convenceu dessa hostilidade, foi sobre pagamento de cirurgias eletivas. A postura de manter a recusa de pagamento foi feita sem que a instituição tivesse a menor chance de se explicar ou justificar alguns erros insignificantes nos relatórios.” E continua, "Alguma coisa estava errada! Antes o hospital era visto e tratado como parceiro. Ocorreu um fato3 que, a meu ver, desencadeou uma espécie de revanche. Fato este que eu não gostaria de comentar, mas houve.

A ex-Diretora Adjunta da SESAP, que teve uma atuação fortemente aplaudida e de reconhecimento geral durante seu período na pasta, além do repúdio ao seu diálogo com o hospital, chegou a ser acusada de “deslealdade e de repassar informações sigilosas e que colocavam o governo em uma situação difícil” por ter respondido a questionamento da população a respeito do aparelho de mamografia3 do SUS parado há mais de um ano.

"Houve uma reação desproporcional, um ataque muito pessoal em relação a mim, que eu conecto com meu diálogo com a Policlínica."

“Entendo que não existe sigilo sobre recursos e equipamentos adquiridos com verbas do SUS. O próprio nome já esclarece: serviço público, dinheiro público, bens públicos. Onde há razoabilidade em se exigir sigilo sobre o paradeiro de bens públicos?”

“Em momento algum defendia uma ou outra instituição, defendi o diálogo e a nossa capacidade de ouvir o outro lado. No meu entendimento, fui severamente punida por defender esse ponto de vista”, destaca Ana.

ASSÉDIO MORAL DENTRO DA SESAP

A ex-diretora ainda respondeu à nossa pergunta sobre a apuração de sua denúncia de assédio moral, revelando que foi impedida de ter acesso ao conteúdo do inquérito, mais uma vez sob alegação de sigilo. “Recorri ao judiciário, mas também não consegui acesso ao conteúdo das apurações sobre minha denúncia de assédio”, afirma Ana.

O processo administrativo teve seu prazo de conclusão dilatado e a ex-diretora não acredita que haja nenhuma solução para seu caso. Perguntada se pretende tomar alguma providência a mais, declarou que não tem essa intenção, mas que espera que a situação da saúde em Barbacena seja notada e socorrida por quem de direito.

“Existem muitas questões preocupantes e acontecendo de forma a deixar os usuários do SUS no meio do foco cruzado político. Alguém precisa olhar pela população, a única e verdadeiramente prejudicada.

"Do ponto de vista da gestão, construir uma política de arroxo financeiro sob o argumento de melhor fiscalizar um serviço, em se tratando de saúde, pune o usuário", finaliza Ana Cristina Rigotti.


E VOCÊ?

Já passou por uma situação de assédio?

Gostaria de dividir sua experiência com o público? Precisamos falar disso para que todas as mulheres se conscientizem de que não são culpadas por serem assediadas, que isso não é normal, e que vocês não estão sozinhas.

Caso queira compartilhar sua história, cotacte-nos pelo (32) 98862-1874.

Vamos dar visibilidade a este crime que destrói vidas...

destrói famílias...

destrói pessoas...

destrói sonhos...

destrói confiança...

destrói mulheres... como eu, ela, você.

Não podemos mais nos calar.


NOTAS DA REDAÇÃO:

1. Destaca-se aqui que a referência para o tratamento de Covid em Barbacena foi o Hospital Policlínica de Barbacena, quando a instituição deixou de fazer o atendimento da porta SUS para aceitar o desafio de salvar milhares de vida, dedicando todos os esforços. 

2. No caso, o ex-diretor havia sido funcionário do hospital e foi o primeiro interventor nomeado pelo chefe do Executivo, destituído da função 15 dias depois.

3. O que se entende que após este fato, o hospital assinou sua sentença com o município, e passou a sofrer todas e quaisquer tipos de sanções possíveis sem que pudesse ao menos dialogar e se explicar.

4. A SESAP destinou ao Hospital Policlínica um aparelho de mamografia o qual estava quebrado e faltando várias peças. Apenas em julho de 2023, após insistentes pedidos, a secretaria realizou a entrega das peças. Mesmo, assim, segundo o que apuramos junto à direção afastada, com deificuldades financeiras o hospital estava se organizando para pagar pelas adequações necessárias para a implantação do serviço.


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