Parque Metropolitano da Serra do Curral, já!

Estabelecer um novo horizonte para os mineiros.

A Serra do Curral, que se ergue acima dos 1.400 metros no alto do Mangabeiras e desenha quase uma moldura que se estende pela capital mineira e municípios vizinhos, é parte indissociável de Belo Horizonte. É marco paisagístico, abriga uma biodiversidade rara, nascentes que abastecem toda a região e, sobretudo, é um patrimônio afetivo dos belo-horizontinos. É um paredão que protege a cidade, que controla o clima. É também uma enorme sacada ou mirante para aqueles que se aventuram a escalar sua altitude, percorrer suas trilhas e ver o mundo lá do alto.

Por tudo isso, em um momento em que se discutem, mais uma vez, atividades que ameaçam a integridade desse nosso cartão postal, abracei com alegria e determinação a missão de propor e defender a criação do Parque Metropolitano da Serra do Curral, juntamente com o vereador Gabriel Souza Marques de Azevedo. Sem dúvidas, é uma ideia ousada, porém “à altura” do que a Serra merece.

O parque, como já exposto em artigo do Gabriel e em reportagem de O TEMPO, abrangeria territórios dos municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará, permitindo a criação de um “cinturão verde” unindo áreas já delimitadas, como os parques das Mangabeiras, Paredão da Serra, Baleia, Aggeo Pio Sobrinho, APA Sul, Rola Moça e outros espaços, como o sonhado parque linear do Belvedere. No meio de tudo, está o Pico Belo Horizonte, símbolo ostentado no brasão da capital.

Importante ressaltar que o Parque Metropolitano não seria apenas uma área de preservação ambiental. O que se propõe é que ele esteja aberto ao uso pela sociedade, seja para turismo, esportes, lazer, pesquisa, festivais e outras atividades, de forma planejada e sustentável, permitindo um manejo que recupere áreas degradadas, proteja a biodiversidade e estimule a interação com a natureza. Desejamos estabelecer um novo horizonte para que este cinturão verde pertença de fato à sociedade.

Atingir o objetivo de criar o Parque Metropolitano, obviamente, exigirá bem mais que uma ideia e boa vontade. Desde que lançamos a proposta, eu e Gabriel já tomamos algumas iniciativas concretas, sobretudo para abrir o debate e abrir os caminhos. Protocolei o requerimento para a realização de uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, que, esperamos, será realizada em junho.

Estivemos reunidos com diversos representantes do poder público e de entidades, como o secretário Municipal de Meio Ambiente de BH, Mário Werneck, e com a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Marília Carvalho de Melo, que receberam muito bem a ideia. Seguimos conversando com a sociedade e interessados em geral, afinal este projeto deve ser construído a várias mãos. Os primeiros passos, já em curso, são a identificação de requisitos básicos previstos no SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), bem como o levantamento de áreas públicas e privadas para verificar possíveis demandas por desapropriações e indenizações.

Ainda no Império, o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, foi um pioneiro do ambientalismo. Ele defendia o uso racional dos recursos naturais, criticava o “desleixo” da destruição anticientífica das florestas e antevia um futuro árido e de escassez pelo abuso contra a natureza.

Coincidência ou não, nos 200 anos da Independência do Brasil, liderada por esse grande homem e que libertou o país do jugo de Portugal, suas ideias ambientalistas encontram eco nos mineiros e podem representar a libertação da serra do Curral da ameaça constante de destruição e daqueles que nela enxergam apenas um terreno a ser explorado. Que possamos, em conjunto com as mais diversas mentes e forças da sociedade, realizar esse sonho do Parque Metropolitano da Serra do Curral!


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