Mesmo sem comprovação científica, Prefeitura de Barbacena comprou 800 doses de hidroxicloroquina

A aquisição está registrada no Portal Transparência da Prefeitura Municipal. SAIBA +

Desde o início da pandemia do Coronovírus a Prefeitura de Barbacena veio se preparando para o combate à doença na cidade. Consta no Portal da Transparência que em 20 de março de 2020, dois dias antes do pronunciamento em que o presidente Bolsonaro declarou-se, pela primeira vez, animado com o uso da cloroquina para curar os pacientes infectados pelo Coronavírus, a Prefeitura de Barbacena adquiriu 800 doses do medicamento com a justificativa de tratar-se de uma compra direta emergencial de medicamento de extrema necessidade para o tratamento de possíveis casos de Coronavírus.

A compra atendeu ao ofício 122/2020 do gabinete da Sesap - Secretaria de Saúde Pública - e foi feita da empresa Coelho Magalhães ME, que forneceu ao município 800 doses do medicamento sulfato de hidroxicloroquina, 400mg, em comprimidos.

Na época, o então Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmava em coletiva que o Ministério da Saúde já estava participando dos estudos e da validação da droga cloroquina, mas que a mesma era um medicamento experimental e que trazia fortes efeitos colaterais. Segundo Mandetta, já naquela época, o medicamento - segundos os estudos até então - tinha muitas limitações, muitas contraindicações, e deveria ser usado apenas em casos muito graves. Dentre os efeitos do uso da cloroquina ou hidroxicloroquina apontados pelo médico e então ministro estavam a surdez e muita lesão hepática.

No dia 20 de maio, o governo federal publicou uma recomendação para que o sistema público de saúde passe a prescrever cloroquina e hidroxicloroquina a pacientes com sintomas leves de covid-19. O uso dessas drogas é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Sem comprovação científica em relação à eficácia do tratamento, médicos consideraram a decisão "populista e ditatorial".

Questionadas sobre as novas orientações do Ministério da Saúde que sugere o uso do medicamento contra a doença, apesar de não haver evidências científicas de que eles funcionem, a OMS - Organização Mundial de Saúde disse, no dia 20 de maio, que a cloroquina pode causar efeitos colaterais e não tem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19. A substância é normalmente usada contra malária e doenças autoimunes, como lúpus.

Questionadas nas lives da prefeitura sobre os tratamentos que vinham sendo aplicados nos pacientes com Covid-19 em Barbacena, as autoridades de saúde que conduzem o controle da pandemia na cidade disseram que até então as medicações utilizadas eram remédios já conhecidos nos tratamentos das doenças respiratórias graves.

Print da página do Portal da Transparência com o registro da compra de cloroquina pela prefeitura de Barbacena.

 

 

 


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