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19/04/2019

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Bombeiros de Barbacena são reconhecidos como heróis após atuação em Brumadinho


Bombeiros da 2ª Companhia Independente contaram como era a rotina em Brumadinho, as adversidades que encontraram e a importâncias do trabalho dos voluntários. Leia Mais...

Bombeiros B2
Foto: Ana Luiza Fonseca

Eles não gostam da denominação de heróis, segundo os próprios, estavam apenas fazendo o que foram treinados para fazer. Uma equipe de 25 Bombeiros da região foi enviada para ajudar no resgate às vítimas da tragédia de Brumadinho, seis deles eram da 2ª Companhia Independente de Barbacena. Seres humanos em primeiro lugar, os militares foram preparados para lidar com situações de desastre, medo e terror, mas, segundo eles, o trabalho psicológico feito durante os anos de serviço foi fundamental para o rendimento durante os sete dias de duração da missão. “Nós trabalhávamos na raça, porque queríamos poder dar para aquelas famílias a chance de se despedir dos seus entes queridos”, foram as palavras do Cabo Bicalho para resumir o lema dos militares na semana de buscas por vítimas do rompimento da barragem.

O Tenente Bruck, o Sargento Cimino, O Sargento Wellington, o Cabo Bicalho, o Cabo Melo e o Cabo Márcio tinham uma rotina pesada em Brumadinho. Todos os dias eles acordavam por volta das 5h da manhã, tomavam café e iam para o posto de comando montado próximo a Mina do Feijão para o briefing diário, para saber os detalhes das operações e os objetivos daquele dia. Divididos em equipes de intervenção rápida, eles iam cada um com sua equipe para começar as buscas, uns de viatura e outros em aeronaves. Ao final dos trabalhos as equipes se reuniam novamente para o debriefing, nele os militares contam sobre quais objetivos foram atingidos e quais ficaram para o dia seguinte, quais as dificuldades encontradas nos locais e o que poderia melhorar nas buscas.

A primeira impressão dos militares ao chegarem na cidade mineira, vizinha da capital, foi que era praticamente um cenário de guerra. A dor e a angústia estavam espalhadas por todos os cantos. “Apesar de nós estarmos familiarizados e acostumados a lidar com mortos e feridos, lá é um fator atípico. Na primeira semana estavam sendo recuperados de 10 a 20 corpos por dia e as pessoas estavam com os nervos a flor da pele”.

A resiliência é a capacidade de receber e absorver um sentimento, sem transbordar e deixar que aquilo atrapalhe o trabalho. “Ao chegar lá nós tivemos essa overdose de situações ruins, mas devido a essa resiliência que adquirimos com o tempo, conseguimos dosar os sentimentos, manter a mente tranquila e lidar com qualquer cenário. Era fundamental manter o foco”, disse o Tenente Bruck, que em Brumadinho, chefiou uma das equipes de intervenção rápida.

A preparação física dos militares foi fator crucial para o funcionamento da missão. Quando saíam de manhã, deviam ir preparados para passar o dia e a noite caso a aeronave tivesse outra prioridade e não conseguisse voltar para busca-los. A água devia ser economizada e o sol quente não estava cooperando com as condições de trabalho. “A desidratação era muito severa, a nossa roupa era de mergulho para termos maior resistência e segurança. E, apesar da hidratação ter que ser constante, tínhamos que tomar cuidado para não acabar com a água”, contou o Tenente Bruck.

Bombeiros B1
Foto: Ana Luiza Fonseca

Contato com as tropas de Israel

O contato com as tropas de Israel entra no currículo dos militares como uma experiência positiva, principalmente em relação à cultura. “Todo corpo que eles achavam, eles faziam uma oração. Mesmo que os israelenses tenham outra crença nós acreditamos no mesmo Deus, então nós fazíamos um minuto de silêncio quando achávamos alguém, em oração e em sinal de respeito”, disse Cabo Melo.

Voluntários

Questionados sobre o momento que mais os marcou durante a missão, o Sargento Cimino respondeu pela equipe e disse que a opinião é unânime na corporação, o trabalho dos voluntários está sendo de extrema importância para a atuação dos Bombeiros. “O trabalho dos voluntários é uma coisa jamais vista por nenhum de nós. Nos deixou bastante emocionados, já que muitas pessoas tiveram familiares vitimados no incidente e mesmo assim, lidando com a dor e o luto, estavam ali nos ajudando. Eles acordavam antes das 5h para fazer o nosso café e quando o pessoal acordava já estava tudo pronto”.

Antes de voltarem pra casa, os voluntários se reuniram com os Bombeiros e, em um momento espontâneo e de muita emoção, cada um contou sua história, quantos parentes tinham perdido e fizeram uma oração e um agradecimento especial pelo trabalho dos militares, que se dedicaram de corpo e alma em busca de levar acalento e calma para o coração daquelas pessoas.  

Mariana

Dois dos soldados presentes no resgate de Brumadinho, também participaram das operações em Mariana, quando houve o rompimento da barragem no distrito de Bento Rodrigues, o Sargento Cimino e o Cabo Bicalho. “Apesar de Mariana ter sido um desastre maior em proporção, em termos de dificuldade Brumadinho foi muito pior, pela quantidade de vítimas e pelo tipo de terreno. O terreno que nós pegamos em Mariana era mais firme, em Brumadinho o rejeito estava acumulado e a lama estava movediça, a chance de ficarmos agarrados ou de atolar eram altas e os deslocamentos eram muito mais complexos”, contaram.

Próximos passos

Duas semanas após o incidente, que aconteceu dia 25 de janeiro, a esperança de achar vidas ainda não se dissipou. “Nas recuperações, nós buscávamos ter o maior zelo possível, pois sabíamos que tinha gente esperando por aquelas pessoas. A ideia do Comando é localizar todos os desaparecidos, seríamos levianos de afirmar que não existem pessoas vivas, apesar das chances pequenas”, disse o Tenente Bruck. Além de vidas humanas, os animais que estavam em meio ao barro também estão sendo resgatados pelas equipes de Bombeiros. “Existem outras formas de vida, animais que ficaram dias sem água e sem comida e foram resgatados. Por mais que as pessoas pensem que a vida de um animal não se compare com a vida humana, é um fio de esperança em meio a toda destruição”, completou o Cabo Melo. Na próxima semana, dois dos Bombeiros que estiveram na operação voltam para Brumadinho para continuar as buscas.

Bombeiros B4
Foto: Ana Luiza Fonseca

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