Barbacena | Conselho do Patrimônio tomba prédio do Hotel Grogotó

Movimento contra interrupção do funcionamento do hotel reúne vários segmentos da sociedade barbacenense. SAIBA +

Conselho do Patrimônio tomba prédio do hotel Grogotó

Movimento contra interrupção do funcionamento do hotel reúne vários segmentos da sociedade barbacenense 

Ameaçado de interromper as suas atividades depois de meio século de funcionamento, o que gerou na sociedade barbacenense um sentimento de revolta e indignação, o prédio principal do hotel Grogotó passa agora a integrar o patrimônio cultural do município. Em reunião realizada no dia 16 de dezembro, o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Barbacena – COMPHA, por indicação do arquiteto e conselheiro Sérgio Cardoso Ayres, aprovou por unanimidade o tombamento do imóvel por seu valor arquitetônico, histórico e afetivo. “O COMPHA apenas traduziu o sentimento dos barbacenenses de ver ameaçado um patrimônio arquitetônico, educacional e hoteleiro que é uma referência de nossa cidade em todo o Brasil, acolhendo visitantes, divulgando Barbacena e formando profissionais”, disse ele.

Inaugurado no ano de 1960 pela Hidrominas, órgão do Governo do Estado de Minas Gerais, o hotel, através de um convênio com o Sistema Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC, transformou-se no primeiro hotel-escola da América Latina. Atualmente, além do prédio principal que foi tombado pelo COMPHA, o conjunto arquitetônico, finalizado na primeira década dos anos 2000, possui modernas instalações com inúmeros cursos, inclusive de nível superior, contando também com um centro de convenções e biblioteca. “Não vamos permitir que este patrimônio seja ameaçado. Ainda bem que a sociedade barbacenense está se organizando para valorizar a nossa identidade e nossa memória”, disse ele, ressaltando que participou de um projeto de análise do espaço no ano passado. “Estivemos, à convite de professores do hotel e com alunos do curso de arquitetura, analisando o potencial do espaço, tanto em termos culturais quanto de ambientação, e de sua relação identitária com Barbacena. O projeto, em fase de conclusão, está disponível sem qualquer custo”.

Para o integrante do COMPHA, além as originalidade do imóvel, com sua arquitetura diferenciada, a história do Hotel-Escola Senac Grogotó se confunde em vários aspectos com a do município de Barbacena, sendo inclusive uma das iniciativas responsáveis pela aceleração do desenvolvimento do seu entorno como bairro. “A construção e funcionamento do Hotel-Escola trouxe para a cidade uma importante referência em vários setores. Às margens da BR-040, a instituição foi a porta de entrada para o município, impulsionando também a construção de outros estabelecimento do terceiro setor na região, inclusive gastronômico. Neste ponto, a atuação do SENAC, formando profissionais para o setor hoteleiro, é um dos principais ícones da cidade”, concluiu o arquiteto. 

Sociedade se organiza contra fechamento

Aos 59 anos de atividades, o Hotel Escola Senac Grogotó primeiro da categoria “hotel escola” da América Latina, pode estar com os dias contados. O cenário econômico, a baixa taxa de ocupação e os cortes no chamado Sistema S, que inclui o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), estão inviabilizando a manutenção do complexo hoteleiro, segundo o Senac.

Procurado, o Senac informou, por meio da assessoria de imprensa, que a instituição está reavaliando o formato atual da operação do empreendimento, que conta com 88 unidades, área de lazer completa e centro de convenções e uma taxa média de ocupação atual em torno de 20%. Informação esta que se contradiz com a taxa média de 2019 em que o Hotel atuou com a média de 40% de ocupação e cerca de 18 eventos por mês.

Segundo o Senac, “Esta iniciativa busca garantir que a instituição possa seguir atendendo seu público prioritário, reforçando o propósito do Senac, que é contribuir para uma sociedade melhor por meio da educação profissional”, disse em nota. E continua, "durante o período de reavaliação, o funcionamento do hotel e as aulas acontecem normalmente, assim como as atividades teóricas e práticas dos cursos. Já a segunda unidade do Senac em Barbacena, que funciona no Centro da cidade, não sofrerá mudanças. Assim como as demais unidades localizadas na Zona da Mata, como Juiz de Fora, Conselheiro Lafaiete e São João del-Rei, por exemplo. Seguimos direcionando nossos esforços para o desenvolvimento da formação de profissionais do comércio de bens, serviços e turismo”, concluiu o documento.

Na cidade, o clima é de apreensão. Embora a reportagem não tenha conseguido contato com representantes da prefeitura de Barbacena, moradores já comentam sobre os possíveis impactos que o encerramento das atividades levarão a toda região e fazem campanhas nas redes sociais contra o fechamento do complexo hoteleiro.

O presidente da Câmara Municipal de Barbacena, Amarílio Andrade (PSC), por sua vez, encaminhou pedido de intercessão de representantes de Minas Gerais e de autoridades do Congresso Nacional junto ao Senac para que o Hotel Grogotó não feche. O documento foi entregue aos senadores Antônio Anastasia (PSDB) e Carlos Vianna (PSD), e aos presidentes do Senado e Câmara dos Deputados, David Alcolumbre (DEM) e Rodrigo Maia (DEM), respectivamente.

Um abaixo-assinado iniciado pela jornalista Kátia-Cilene pela Change.org já possui cerca de 4 mil assinaturas, e já foi entregue a 12 deputados federais e 16 deputados estaduais. O deputado Reginaldo Lopes já se movimenta em favor da causa, tendo inclusive pedido apoio ao presidente da FIEMG Flávio Roscoe para que ajude a interceder junto à alta direção da Fecomércio, que comanda o Senac em Minas. 

Sistema S – Desde o início do ano, o governo federal vem reduzindo os repasses de verbas aos órgãos e entidades do Sistema S – que além do Senac, inclui o Serviço Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Em setembro, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) chegou a discutir, em audiência pública, o que a Casa chamou de “desmonte do Serviço Social do Comércio (Sesc) em Minas”, que estaria ocorrendo por retaliação política e já teria levado ao fechamento de unidades em sete municípios da Zona da Mata e outras regiões do Estado.

Segundo a ALMG, as cidades atingidas pelo fechamento de unidades seriam Teófilo Otoni e Almenara (Jequitinhonha/Mucuri), Bom Despacho, (Centro Oeste), Santos Dumont, Juiz de Fora e Muriaé (Zona da Mata) e Janaúba (Norte de Minas).

Na ocasião, o representante do Sesc negou questões políticas e disse que o serviço passa por “revisão de custos operacionais”.

ABAIXO ASSINADO:

Os interessados em apoiar esta causa podem se juntar aos mais de 3.900 pessoas que já assinaram a petição no Change.org.

O link para adesão ao movimento é http://chng.it/XmN9mWVQ .

 

 

 

 


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