Marlon de Paula expõe suas vivências artísticas na Colônia Juliano Moreira

Resultado da residência artística realizada em 2019 no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, na cidade do Rio de Janeiro, a mostra é fruto de parceria entre o Museu e o Festival Internacional Artes Vertentes

A exposição virtual Dilúvios, produzida pelo artista Marlon de Paula, fica aberta à visitação virtual até 1º de agosto. Resultado da residência artística realizada em 2019 no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, na cidade do Rio de Janeiro, a mostra é fruto de parceria entre o Museu e o Festival Internacional Artes Vertentes. E reúne as fotografias que Marlon fez no interior da Colônia Juliano Moreira, a partir das vivências artísticas com usuários e criadores da instituição psiquiátrica, que incluem também relatos de experiências dos participantes de oficinas de fotografia, promovidas pelo artista na Colônia.

"A residência se desdobrou em diversas práticas. Além das experimentações fotográficas retratando as paisagens do hospital psiquiátrico, tive a oportunidade de conviver por quase um mês naquele espaço, marcado pelo passado manicomial terrível estampado na sua arquitetura e nos relatos que ouvi", relembra Marlon. As fotografias foram feitas com pinhole e técnica mista, e reveladas na Colônia mesmo.

Retratam de maneira livre as ruínas do espaço e os pavilhões desativados da instituição, resultado da Reforma Psiquiátrica ocorrida na década de 1980, que levou à extinção gradual do manicômio, somada à aprovação da Lei nº 10.216, em 2001, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, que mudou a lógica centrada no modelo hospitalar. Toda a estrutura manicomial, que chegou a abrigar centenas de internos, se converteu num imenso mausoléu, com diversos edifícios abandonados.

Essas paisagens foram retratadas e relidas poeticamente, buscando, para além do registro documental, a recriação fictícia daquele horizonte, a partir da manipulação analógica e digital de imagens capturadas pelo próprio fotógrafo. Parte da exposição pode ser vista no Efêmero Festival de Fotografia Experimental, realizado em Fortaleza (CE), e no Encontros Visuais: na esquina do Brasil, edição on-line produzida na cidade de Natal (RN). A Dilúvios é viabilizada com recursos da Lei Aldir Blanc para o Estado de Minas Gerais, por meio de bolsa de Exposições Virtuais e de Arte Urbana.

A Colônia

A Colônia Juliano Moreira é uma instituição psiquiátrica inaugurada em 1924, no bairro de Jacarepaguá, Rio de Janeiro. O projeto foi originalmente pensado para funcionar como uma colônia agrícola, que vinculava a terapia a atividades do campo como método regenerativo. Já nas primeiras décadas, porém, o aumento no número de pacientes e a construção de novos pavilhões e núcleos levou o modelo terapêutico a ser substituído por outros: vieram os tratamentos desumanos, pautados pela contenção dos pacientes, com o uso de eletrochoques e psicocirurgias irreversíveis, caso da lobotomia. O Museu Bispo do Rosário se localiza nas dependências da Colônia Juliano Moreira e é responsável pela preservação, conservação e difusão da obra de seu ilustre paciente, Arthur Bispo do Rosário.


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