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05/06/2020

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'Temporina já foi menina?’ é álbum para aquecer o coração nesse momento de crise

Pela primeira vez em plataformas digitais, o disco da companhia teatral Ponto de Partida e do coral dos Meninos de Araçuaí, em parceria com o Grupo Pau Brasil, pode ser apreciado gratuitamente por toda família a partir desta sexta (20). SAIBA +
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Capa do álbum 'Temporina já foi Menina?' (Foto: Grupo Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí)

Em momentos de crise, a arte se mostra mais essencial do que nunca, nos dando parte da força e esperança necessárias para seguir em frente. Pensando nisso, a companhia teatral mineira Ponto de Partida decidiu disponibilizar nas plataformas digitais todo seu acervo de álbuns, começando nesta sexta (20) por ‘Temporina já foi Menina?’, da coleção ‘Presente de Vô’, feita com o coral dos Meninos de Araçuaí e participação do Grupo Pau Brasil. “Quisemos liberar o acesso a esse disco nesse momento em que as crianças estão em casa, e muitas vezes presas na internet ou televisão”, disse Pablo Bertola, ator e cantor do Ponto de Partida. “É um conteúdo legal pra ouvir em família. Tivemos muitas respostas positivas de pessoas de todas as idades desde o lançamento da mídia física em 2013”.

'Temporina já foi Menina?’ tem 19 faixas que contam a história de uma senhora que fica acinzentada depois que as memórias de sua infância fogem pela janela. Na busca para capturar as lembranças, ela vai, aos poucos, recuperando também a cor. Além das canções originais e das intervenções dos atores que narram a jornada de Temporina, o álbum conta com a releitura de dois clássicos da MPB, ‘A Banda’, de Chico Buarque e ‘Bola de Meia, Bola de Gude’, de Milton Nascimento.

As vozes impecáveis dos Meninos de Araçuaí, formado por crianças do Vale do Jequitinhonha que recebem mentoria artística do Grupo Ponto de Partida, enriquecem a narrativa e os arranjos elaborados do grupo Pau Brasil se destacam principalmente na reinvenção dos clássicos já conhecidos.

Em entrevista à Crescer, Pablo Bertola dá detalhes sobre o lançamento e a importância da arte em tempos sombrios. Confira:

Como surgiu a coleção ‘Presente de Vô’, da qual ‘Temporina Já foi Menina?’ faz parte?

Nesse tempo em que todos os lançamentos musicais precisam ser acompanhados por um vídeo, queríamos fazer músicas mais imagéticas para aguçar a imaginação das crianças sem precisar de um complemento audiovisual. Na coleção ‘Presente de Vô’ trabalhamos muito com a questão da memória e do legado.

Por que disponibilizar ‘Temporina Já foi Menina?’ nas plataformas digitais agora?

Como estamos tendo que reinventar nossa forma de viver o cotidiano por causa da pandemia do coronavírus, decidimos contribuir disponibilizando gratuitamente nas plataformas digitais nossos ábuns para as famílias que estão em casa. Acreditamos que a música e a palavra têm o poder de cura. Até semana que vem todos os discos do nosso acervo estarão disponíveis.

A história do Grupo Ponto de Partida tem quase quatro décadas. O que mudou e que permanece como essência nos trabalhos de vocês?

A maneira como o teatro é mantido financeiramente mudou muito, mais ainda agora que as apresentações para o público estão suspensas. O artista vive disso. Mas a nossa essência em buscar uma história que emocione, que mostre que o ser humano é mais do que um cotidiano muitas vezes maçante permanece a mesma. Tivemos uma oficina com a Fernanda Montenegro em que ela disse algo muito pertinente sobre essa questão. ‘Desde quando comecei a atuar estão falando que o teatro vai acabar. Mas acredito que isso nunca vai acontecer, porque mesmo se não houver mais nada, se restarem apenas duas pessoas no mundo, uma delas vai acender uma fogueira e contar uma história para outra. Isso já é teatro’. Para gente, o teatro é exatamente isso, não apenas entretenimento, mas uma forma de estar e ser no mundo. Os artistas precisam fazer e o público precisa participar. É na arte que a alma do ser humano é forjada.

Ouça o álbum: 

 

 
 

 


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