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A dificuldade de economia nos lares brasileiros em tempos de crise

Ao longo de todo o ano de 2021, a maior parte da população brasileira sentiu na pele o aumento do custo de vida, que atingiu os mais variados setores, principalmente após o agravamento da pandemia no país

Foto: Reprodução/Fantástico

Por Gabriella Campos Canuto

Barbacena - O fim de mês chegou e, com ele, a antiga preocupação dos lares brasileiros: como economizar quando a renda já está no fim? Infelizmente, não é apenas no final do mês que essa preocupação tem surgido. Ao longo de todo o ano de 2021, a maior parte da população brasileira sentiu na pele o aumento do custo de vida, que atingiu os mais variados setores, principalmente após o agravamento da pandemia no país.

O preço dos alimentos básicos, como arroz, feijão e óleo, subiu exponencialmente, junto da conta de luz, gasolina e o gás de cozinha. Com a inflação chegando a 10%, a parcela menos favorecida da população foi quem mais sofreu com o aumento dos preços de serviços básicos para a sobrevivência.

Quando pensamos que cerca de 27,2 milhões de pessoas* vivem em situação de miséria no país, ou seja, com uma renda de menos de R$246,00 por mês, o discurso propagado de que sim, é possível economizar em tempos crise, torna-se paradoxal. Como economizar quando não se tem mais de onde tirar? Se ligarmos a TV ou abrirmos uma revista, não vão faltar dicas para “driblar” a inflação, como diminuir o tempo no banho para baratear a conta de luz, substituir alguns alimentos por outros mais baratos, e, até mesmo, trocar o fogão convencional por um de lenha, para economizar no gás de cozinha. Mas essas medidas não são possíveis de serem aplicadas quando já não se tem o que comer, o que vestir… quando já não se tem o mínimo para a garantia da sobrevivência.

O discurso de que é possível contornar a crise a partir de ações individuais revela a hedionda face do sistema em que vivemos. Não é concebível que cidadãos, assim como eu e você, tenham que se sujeitar à recolher ossos de boi para substituir a carne, por exemplo, e encarar isso como “economia”. É fato que a pandemia agravou a crise econômica que já vinha dando as caras no Brasil desde 2015, pelo menos, mas ela não foi a única responsável pela situação atual. O corte do Auxílio Emergencial e a falta de políticas públicas para a garantia da dignidade humana contribuíram - e muito! - para a triste realidade que hoje vemos acontecer. E aqui, deixo uma provocação: em vez de “dicas para economizar”, que tal começarmos a cobrar medidas efetivas de quem realmente tem o dever de contornar essa situação.

 

Gabriella Campos Canuto é natural de Conselheiro Lafaiete,

formada em História pela Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

e graduanda em Jornalismo. Estuda a relação entre a mídia -

especialmente a televisão - e a política no Brasil contemporâneo.

 


*Fonte: CNN Brasil. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/populacao-abaixo-da-linha-da-pobreza-triplica-e-atinge-27-milhoes-de-brasileiros/>.


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