Soltando o verbo DISCRIMINAR, com a escritora Lucimar Zanzoni

Contemporânea, artista sem pretensão, moderna, desafiadora, criativa, meiga e genial. Lucimar Zanzoni é convidada do BarbacenaMais e está publicando suas séries de crônicas aos domingos aqui. Um pouco de leveza e literatura para dias pesados e instigantes. Hoje é dia de falar sobre DISCRIMINAR  ;-)

SOLTANDO O VERBO DISCRIMINAR

Por Lucimar Zanzoni*

Discriminar
No mês das bruxas, várias manchetes escancaram um show de horrores.
1)Nova Zelândia pretende banir terapia de conversão de orientação sexual- Dá prá acreditar numa notícia desta natureza? Foi um dos itens da plataforma de governo da primeira ministra Jacinda Arden.
2)Estrangeiros perseguidos por orientação sexual buscam refúgio no Brasil, mas enfrentam problemas – Até hoje, ser homossexual é crime em 70 países. A perseguição faz com que milhares de pessoas fujam de seus países em busca de segurança e liberdade. O Brasil é um dos 33 países da ONU que aceitam receber refugiados, mas tem oferecido dificuldades burocráticas na efetivação de tais processos
3)Pais gays viram alvo de investigações na Rússia – Apesar de programas de barriga de aluguel serem legais no país, a homofobia é uma realidade triste lá. É frequente o uso de acusações de tráfico de bebês, especialmente de pais ou mães do grupo LGBTQI.
4)Profissionais LGBTQI afirmam que expor a orientação sexual afeta na carreira – Os mais atingidos quanto ao mercado de trabalho são as pessoas trans, visto ser impossível não serem reconhecidos visualmente. Em uma enquete recente 53% defenderam que expressar a sexualidade e/ou a identidade de gênero no trabalho impacta negativamente nas relações laborativas.
5)2020 terá recorde em assassinatos de trans- Segundo um levantamento recente, o Brasil ocupa o triste primeiro lugar no mapa múndi da homofobia, onde há uma lista com 64 países envolvidos. Foi registrado um aumento de 170% nas ocorrências desta natureza, especialmente contra trans que expressam o gênero feminino.
6) A AGU questiona decisão do Supremo de criminalizar homofobia e gera forte reação – Só lembrando que a Constituição Federal no artigo 3º., inciso IV é muito clara quanto a criminalização de casos de preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e de outras naturezas, estando a homofobia, transfobia ou misoginia nela enquadradas, por suposto.
Neste circo de notícias macabras, uma se salvou.
Papa Francisco defende união civil entre homossexuais – Com a clareza e humanidade a flor da pele, o Papa diz : “os homossexuais precisam ser protegidos por leis de união civil e tem direito de estar em família. Todos são filhos de Deus e ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso”.
Mas concluindo, até 1990, a homossexualidade era considerada uma doença pela OMS (inacreditável, não?). Alguns passos foram dados, mas o retrato acima acaba não surpreendendo muito, haja vista o tsunami conservador que tem varrido o planeta de pólo a pólo. Tal conservadorismo tem despertado uma boçalidade descabida, revelando pessoas que reprimem o desejo dos outros, uma vez que não conseguem digerir seus próprios desejos.
A Terra com certeza não é plana, mas anda ficando muito chata e obtusa.
(Lucimar Zanzoni)

Todas as dicas de hoje se referem à luta por dignidade, direitos, amor e reconhecimento na sociedade envolvendo o grupo LGBTQI+.
A primeira dica é o filme premiado como Oscar de Melhor Filme “Moonlight: sob a luz do luar”, Netflix, mostra um sensível olhar sobre a busca do entendimento da sexualidade. Sigo com um recorte da história sobre o impacto angustiante da chegada da Aids na comunidade americana no filme “The normal heart”, HBOGO. Na sequência, o primeiro político homossexual dos EUA tem sua história contada no filme “Milk: a voz da igualdade”, Telecine. E por fim a trajetória de uma garçonete transexual após a morte de seu companheiro no filme chileno “A mulher fantástica”, no Prime Vídeo.

Faixa bônus: Avesso, Jorge Vercillo – HTTPS://youtu.be/yelwN3DSPgc

Arte de @shusaku1977, inspirada em Bansky.
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*Lucimar Zanzoni

O BarbacenaMais tem a honra e se orgulha de convidar para escrever nas páginas de um periódico barbacenense a autora Lucimar Zanzoni, que já é sucesso nas redes sociais e vem encantando adultos e jovens com sua literatura moderna e criativa.

Lucima Zanzoni é apaixonada por números, palavras e pessoas. Bancária aposentada, mãe por natureza e prá sempre. Procura espalhar nas redes sociais suas percepções e intuições sobre a vida de forma leve. Você a encontra também no Facebook Lucimar Zanzoni, no Instagram @LucimarZanzoni ou buscando por #levezasdalu. Seu email para correspondência é Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O texto acima faz parte da série Soltando o Verbo, onde Lucimar reflete, neste período de pandemia, sobre um verbo relacionado com o assunto e com o momento. 

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