Crônica: Desvelamento, da autora Leandra Vital Souza

A publicação das crônicas do Laboratório de Escrita, do Instituto Curupira, sob orientação do professor Delton Mendes Francelino, é uma parceria pela valorização da escrita e da leitura em parceria com o BarbacenaMais. LEIA!!!

Crônica por Leandra Vital Souza [1]

Em uma manhã ensolarada de outono, Benedito desperta e, após uma noite tranquila de sono, abre a janela de seu quarto, constata o quanto o dia está lindo, agradece ao universo pela sua vida, por poder contemplar a beleza desse mundo, as conquistas como ser-humano. Logo, veste uma roupa e vai correr. Após praticar seu esporte, entra em uma padaria, compra várias coisas para preparar um caprichoso café da manhã. Já em casa, coa o café, improvisa uma bela mesa com várias guloseimas e vai tomar seu banho cantarolando.

Enquanto isso, do outro lado da parede do quarto de Bené, João acorda assustado, perguntando-se onde está. Quando entende que realmente é seu quarto, não acredita no que está ocorrendo: o homem mais estranho, excêntrico que já conheceu, acordou bem-humorado. Recordou que, embora já faça quase um ano que mora naquela casa, nunca tinha presenciado tal fato. Entretanto, seu espanto foi maior ao ver aquela mesa posta. Tudo que observa é inacreditável. De repente, avista Benedito vindo do corredor, trajando bermuda de moletom, tênis,blusa de malha e dizendo:

- Meu grande amigo João, tomemos café juntos, é bom que dialogamos um pouco.

João fica perplexo, não consegue entender o que está ocorrendo. Enquanto isso, sentado à mesa, Bené tagarela igual “matraca”, gesticulando. João finalmente lhe faz algumas perguntas:

- Está tudo bem com você? Porque não está vestido com seu terno cinza?

- Otimamente bem, meu caro, como todos os dias. Vi mesmo aquele terno, mas pensei que era pano de chão, de tão feio.

João não consegue conter o riso. Então, seu novo amigo falante e sociável, levanta da mesa e diz que precisa sair de casa, antes o abraça e o beija.

 Sozinho em casa, João lava a louça, pensando o que pode ter ocorrido com Benedito para estar tão diferente; recorda-se da conversa que teve com ele, por detrás da parede. O quanto aquele homem parecia estar aborrecido com seu modo de ser.

Sem ter nenhuma conclusão, João liga a televisão, meio que no automático, e vê, numa reportagem, que a comunidade científica comemora uma recente inovação bioquímica: pílulas que, ao serem ingeridas, permitem que tenhamos múltiplas personalidades. No plano de fundo do âncora da TV, uma foto de Benedito Vita Silvo está à mostra: seu parceiro de moradia fora um dos voluntários para participar desse experimento, que começou a ser testado 18 anos atrás. João sente uma vertigem...o chão some e cai desmaiado sobre o tapete da sala.

 


[1] aluna do projeto Laboratório de Escrita, do Instituto Curupira, sob orientação do professor Delton Mendes Francelino


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