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05/06/2020

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BarbacenaMais e Instituto Curupira criam espaço para publicação de crônicas do Laboratório de Escrita

Parceria entre o BarbacenaMais e o Instituto Curupira busca estimular a leitura e a escrita através da publicação de crônicas dos alunos do Laboratório de Escrita do Instituto Curupira. SAIBA +

O Dilogo

O BARBACENAMAIS, cumprindo seu papel de estimular a leitura, e a escrita, inaugura com a crônica "O Diálogo", de Leandra Vital de Souza, mais uma parceria com o Instituto Curupira. Desta vez, iremos publicar mensalmente uma crônica de um dos muitos alunos do Laboratório de Escrita do Curupira.

Desde fevereiro de 2020 o Instituto Curupira tem oferecido oficinas de escrita, a partir do projeto "Laboratório de Escrita", no qual os participantes, atualmente a distância, recebem aulas, orientações e dicas para elaboração de diferentes gêneros textuais, como textos científicos, literários, opinião, redação, dentre outros.

Cada inscrito escolhe o tipo de texto que gostaria de aprender, ou se aprimorar. As aulas e conteúdos são ministrados por Delton Mendes Francelino (autor de livros). Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O DIÁLOGO

Crônica por Leandra Vital Souza[1] 

Benedito é considerado bastante anormal pelas pessoas de seu convívio, sobretudo, por vários comportamentos estranhos. Para conseguir lecionar, por exemplo, seus alunos devem estar assentados em suas carteiras dispostas em ordem alfabética. Isso não impede, todavia, de ser considerado um excelente professor. Excêntrico, de fato, mas um ótimo docente.

“Bené”, como é conhecido por amigos de infância é um sujeito introspectivo, misterioso, solitário, quase sempre trajando terno cinza, rigorosamente disposto sobre o corpo, como se tivesse sido planejado, minuciosamente, por um alfaiate (talvez realmente tenha sido, vai saber). Sob calor, ou sob frio, não deixa de usar o traje, gerando até especulações, principalmente pelos alunos, sobre se ele tem vários modelos, ou se se trata do mesmo vestuário.

Nosso amigo mora em um apartamento grande que herdou de seus pais. Rotineiramente, tem o hábito de conversar com a parede do seu quarto sobre tudo que o afligiu durante o dia. Nesta tarde chegou indignado com o colega de trabalho que tentou trocar os horários de suas aulas sem ao menos o consultar. Entrou em seu quarto, sentou no sofá que fica em frente para a parede, e questionou-a o porquê de as pessoas serem tão difíceis, não entenderem a individualidade de cada um? Para sua surpresa, pela primeira vez obteve a resposta, não de si mesmo, mas da própria parede, que o respondeu:

- Todo ser humano tem suas mazelas. Você acha que é uma pessoa fácil de lidar?

Benedito não acreditava no que acontecia. Achou que tinha enlouquecido, precisaria ser internado, mas resolveu seguir conversando com a parede, já que há muito tempo não estabelecia diálogo com ninguém. Respondeu:

- Acredito que as pessoas me achem difícil, pois não tenho paciência com seus julgamentos. Prefiro o isolamento, encontro-me nos livros e conversando com você. É mais fácil, não me trazem problemas, somente satisfações.

-Esse é o problema, escolheu o caminho mais fácil, o da fuga (respondeu-lhe, a parede). O ser humano não tem apenas o lado ruim, você que enxerga somente maldade. Por insegurança está perdendo a oportunidade de construir ao lado de pessoas, momentos felizes, ter conversas profundas, amigos para compartilhar as conquistas, fracassos e muitas outras coisas. Dê uma oportunidade a você e as pessoas que estão a sua volta. Não se arrependerá.

-Está certa, sou um medroso, devo dar a chance para que me conheçam. Acho que sempre preferi me esconder a me abrir para o mundo. Você pode me ensinar como estabelecer esses tipos de relacionamentos?

Benedito ficou esperando a resposta, mas não obteve. Do outro lado da parede, João descobriu que estava atrasado para seu trabalho, conversando com Benedito, do outro lado da parede, perdeu a hora. Desde que acertou de morar na casa dele, não tiveram mais nenhum tipo de conversa. Acredita que “Bené”esqueceu que alguém, além dele mesmo, mora no mesmo apartamento. 


[1] aluna do projeto Laboratório de Escrita, do Instituto Curupira, sob orientação do professor Delton Mendes Francelino

 

 

 


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