Eu não torço pela morte de ninguém, com Sérgio Cardoso Ayres

 Artigo de Sérgio Ayres publicado originalmente no Jornal Expresso de Barbacena e aqui disponibilizado para os leitores do portal BarbacenaMais.

Um artigo de jornal provocou polêmica esta semana a ponto do ministro da Justiça mandar a Polícia Federal investigar o autor. Trata-se de Hélio Schwartsman, da Folha de SP, e o artigo “Por que torço pela morte de Bolsonaro” aborda o fato do presidente ter contraído o covid-19 depois de passar boa parte da pandemia minimizando e ironizando a doença que abalou a estrutura da sociedade humana e já matou mais de 65 mil brasileiros.

Sem dúvida estamos diante de três flagelos: um vírus para o qual ainda não existe vacina, um líder nacional que não soube conduzir a pandemia em seu país, contribuindo para a desinformação e contrário ao isolamento social – medida preventiva adotada pela civilização, e um jornalista que foi, no mínimo, grosseiro.

Eu não desejo a morte de ninguém. Pelo contrário, amo a vida com todos os dissabores. Aos meus inimigos, todos os temos, vida longa para ver minha luta, vitórias e derrotas.

Mas, e sempre temos essa conjunção diante de qualquer afirmação, entendo o que quis dizer o jornalista – embora não aprove.

Quem viu as imagens do cidadão, desculpe, engenheiro civil desacatando integrantes da Vigilância Sanitária no Rio de Janeiro, ou mesmo daquele “senhor de bem” agredindo em Barbacena um cinegrafista da Globo, é capaz de perceber que existe algo de podre no reino da Dinamarca, como disse Hamlet.

E algo que transgride a natureza humana. O Brasil mudou. E não foram apenas os dedos, mas também os anéis de quem conduz nosso destino político, social, econômico e cultural.

Estamos vivendo – e morrendo – por algo novo neste país: um governo antidemocrático que acha que fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, além de ignorar uma pandemia, vai resolver os problemas do país.

Não é por aí. Mas, olha a conjunção de novo!, precisamos respeitar a todos e a todas, mesmo que não nos respeitem, como faz o presidente.

Vida longa para Bolsonaro para ele ver nossas vitórias (contra ele) e derrotas. E torcer, eu torço mesmo é pelo Palmeiras.


Agência Expresso


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