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Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Uma jovem garota barbacenense, faz parte da equipe de missão de paz da ONU, no Sudão do Sul, o país mais novo do mundo. Um país marcado por guerras civis. Sua independência em julho de 2011 foi a mais longa da história da África, e uma das mais sangrentas. Débora relatou sua experiência no país, com exclusividade para o BarbacenaMais, confira.  

HISTÓRIAS

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Débora Tolentino é uma jovem barbacenense de 27 anos. Filha de Claúdio Renault e Izabel Cristina, graduou-se em Psicologia, na UFSJ. Também é Mestre em Justiça Social com foco em Estudos de Igualdade, pela University College Dublin, na Irlanda.  

Hoje Débora faz parte da equipe da ONU de Missão de Paz, no Sudão do Sul, o país mais novo do mundo, que teve sua independência em julho de 2011, em uma das guerras civis mais sangrentas e mais longas da história da África.

O País continua sobre iminência de uma nova guerra civil, enquanto líderes regionais, até velhos inimigos, tentam conduzir negociações de paz, a população sul-sudanesa sofre mais uma temporada de confrontos e mortes. Recentemente o governo local sofreu uma tentativa de golpe, articulada pelo antigo vice-presidente do país, Riek Machar.

Débora, na época em que estudava em São João Del Rei, fez muitos estágios com foco em desenvolvimento comunitário e justiça social. Desde então descobriu que sua paixão era ajudar pessoas, quem quer que sejam, onde quer que elas estejam.

No seu penúltimo ano na faculdade (2010), teve a oportunidade de ir a Moçambique em um programa de intercâmbio entre a UFSJ e a Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Muito empolgada com sua primeira experiência fora do Brasil, aproveitou cada minuto de seus seis meses em Maputo, onde além de estudar Psicologia, fez uma pesquisa e foi voluntária em uma ONG local chamada KULIMA. Nesta ONG e em Moçambique aprendeu muito, principalmente a entender que nem sempre os seus problemas são os problemas dos outros e que existem muitos problemas no mundo os quais, uma jovem brasileira de classe média nem imaginava existir.

Débora nunca se esquece de uma história que ocorreu entre ela e uma das crianças beneficiadas pelo trabalho da ONG. Após ela (Débora) acabar sua refeição, a criança lhe pediu para comer o frango que havia sido deixado no prato. O frango na verdade eram apenas os ossos de uma coxa de frango que já havia sido comido. Aquela criança após deliciar o osso, agradeceu muito por ter lhe dado, dizendo que era uma ótima pessoa. Muitas dessas crianças tinham acesso a comida apenas uma vez por semana e o dia a dia de convivência com elas era incrível e surpreendente.

Assim que Débora retornou de Moçambique, seus horizontes se abriram, porém, o mercado de trabalho em sua área era muito escasso para recém-formados. Desta forma com muita coragem e determinação decidiu que queria fazer um mestrado fora do Brasil, para que desta forma pudesse ser realmente qualificada para ajudar os que mais necessitam.

Em 2012 logo após sua graduação, Débora deixou Barbacena com destino a Dublin, Irlanda seguindo seu sonho de ter uma qualificação diferenciada, falar fluentemente uma segunda língua e assim entrar no mercado de trabalho fazendo algo que tanto ama.

Sua ida para a Irlanda foi cheia de obstáculos. Primeiro a língua, depois a discriminação por ser da América Latina, o custo de vida e o valor do mestrado que eram muito altos e por último a saudade daqueles que ela tanto amava e que estavam no Brasil. Mas com muita determinação superou esses obstáculos, um por um. Conquistou o seu lugar onde quer que ela estava e provou a todos que quando se há determinação e vontade tudo pode ser feito.

No seu primeiro ano em Dublin, Débora foi convidada a trabalhar em uma faculdade como gestora de bem-estar dos alunos internacionais. Depois trabalhou em uma ONG internacional chamada Oxfam, onde lidava com doadores e arrecadação de fundos. Ao final do seu mestrado trabalhou por um ano como vendedora na Zara, pois precisava de mais tempo para focar em sua dissertação, mas também precisava trabalhar para se manter no pais.

Ao final do seu mestrado em agosto de 2014, começou a buscar empregos em sua área e em dezembro foi contactada pela ONU para uma entrevista de trabalho. Débora, passou nesta entrevista, e por lá está até hoje.

Em Juba, capital do Sudão do Sul, Débora trabalha como Gestora de Bem-Estar dos funcionários que trabalham na Missão de paz da ONU no país. Lida diariamente com os funcionários, e o stress causado pelo trabalho e pelo ambiente em que vivem. O foco de seu trabalho é ajudar os funcionários a manter o seu próprio bem-estar em um lugar que não se tem acesso constante a água, comida e muito menos a formas de entretenimento.

As condições de vida, mesmo para funcionários não são fáceis, a situação é muito precária e o contato com a pobreza dos locais é muito extrema. 

 

Débora ao relatar sobre sua tarefa, ela não poupa elogios a experiência gratificante de sua missão: “Poder ajudar a população toda de um país a estar segura, sob proteção da ONU em período de Guerra e conflito não tem preço. O sentimento de fazer a diferença na vida de milhões de pessoas, é o melhor sentimento que se poder ter no mundo, algo inexplicável e o que mantém todos os funcionários da ONU fortes para continuar o bonito trabalho que fazemos no pais.

Depois da Guerra Civil em 2013 mais de 130.000 refugiados vivem sob proteção nas bases da ONU e infelizmente a violência causada pelos conflitos no país não mostra nenhum sinal de estar chegando ao fim.

“Hoje quando eu paro e penso, há três anos atrás quando me formei em Psicologia e deixei Barbacena em busca de uma qualificação melhor para trabalhar da melhor forma possível para mudar a vida das pessoas para melhor, eu nunca imaginei que estaria aqui ajudando a mudar a vida de toda a população de um país. A única coisa que posso falar e que todo o esforço e dedicação valeram mais do que a pena. E com certeza hoje mais que nunca eu posso afirmar que se uma pessoa tem uma paixão na vida, não importa o que essa paixão seja e quem essa pessoa seja, se você acreditar em você mesmo e se dedicar, você pode chegar onde você quiser, mas neste caminho nunca se esqueça quem você é e de onde você vem.” 


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