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Alunos do SESI desenvolvem app de celular para democratizar acesso de deficientes auditivos em ambientes públicos

Inovação fornece ao usuário um guia informativo em vídeo sobre obras de arte e monumentos, por exemplo. Estudantes apresentarão projeto em torneio nacional de robótica. SAIBA +
Equipe mineira desenvolveu app para smartphone que vai ajudar pessoas com deficiência visual e analfabetas/ foto: arquivo pessoal 

Seis alunos do SESI de São João Del Rei desenvolveram um aplicativo que permite a pessoas com deficiência auditiva o acesso a informações em espaços públicos de cultura, como museus, igrejas e monumentos históricos. O projeto, batizado de “Deaf Code”, é uma das 100 inovações tecnológicas selecionadas para participar do Torneio de Robótica FIRST LEGO League (FLL), que ocorre em São Paulo, no início de março.

“Visitamos o museu da cidade e vimos que não tem acessibilidade nenhuma para pessoas surdas, nem a presença de intérpretes”, conta Bárbara Neri, de 15 anos, estudante e integrante da equipe de robótica “Atombot”. “O Deaf Code tem a proposta de ser totalmente acessível. Quando for ativado em alguma obra, vai mostrar um vídeo de animação. Vimos que essa é uma maneira de ativar a memória visual do surdo. Como ele gesticula por sinal, ele tem a memória visual muito melhor que a maioria das pessoas”, explica.

A jovem acrescenta que, desde agosto do ano passado, ela e os colegas têm conversado com especialistas e buscam entender como é a vida de quem tem deficiência auditiva, realidade de 10,7 milhões de brasileiros, segundo o Instituto de Pesquisa Locomotiva.

“A gente descobriu que existem os surdos oralizados, aqueles que têm formação bilíngue, ou seja, na Língua Brasileira de Sinais (Libras) e em Língua Portuguesa; os sinalizados, que sabem só Libras; e os surdos classificadores, que não têm condição de entrar em uma comunidade de surdos, mas fazem o uso da comunicação. Eles fazem o uso de alguns sinais de Libras, mas não entendem a língua por si só”, afirma Bárbara.

Crédito: Italo Novais (Agência do Rádio Mais)O técnico Paulo de Tharso ressalta que o aplicativo também poderá ser utilizado por deficientes visuais e analfabetos e se mostra orgulhoso do empenho e dedicação dos pupilos. “As crianças desenvolvem a parte técnica e a parte humana. Procuramos trabalhar com projetos que beneficiam a sociedade, então o desenvolvimento humano deles é muito bom. O ganho é muito grande, são alunos diferenciados”, garante.

Por meio da pesquisa e do trabalho árduo, com treinos de seis horas por dia, o grupo descobriu que a iniciativa é inédita no país. “Especialistas nos informaram que, por meio do vídeo, é possível passar a informação para qualquer pessoa. É interessante porque esse não é um problema só da nossa cidade, é no Brasil inteiro”, comenta ele.

Por conta disso, o desafio, segundo Bárbara, é ainda maior, já que a iniciativa é “revolucionária”. “Assim que o Deaf Code ativar essa animação, a gente vai conseguir transmitir muito mais informação para o surdo classificador. A gente vai ter a democratização para o acesso à cultura para as parcelas surdas”, fala com entusiasmo.

A competição
O Torneio de Robótica FIRST LEGO League reúne 100 equipes formadas por estudantes de 9 a 16 anos e promove disciplinas, como ciências, engenharia e matemática, em sala de aula. De 31 de janeiro a 16 de fevereiro, haverá as disputas regionais. Os melhores times garantem vaga na etapa nacional, que ocorre em março, em São Paulo.

O objetivo é contribuir, de forma lúdica, para o desenvolvimento de competências e habilidades comportamentais exigidas dos jovens. Todo ano, a FLL traz uma temática diferente. Em 2020, os competidores terão que apresentar soluções inovadoras para melhorar, por exemplo, o aproveitamento energético nas cidades e a acessibilidade de casas e prédios.

Para o assistente técnico do SESI de Minas Gerais e responsável pela área de robótica, Natan Azevedo, experiências como essa fazem com que os alunos estejam mais preparados para o mercado de trabalho. “Eles já saem praticamente com todas suas capacidades técnicas trabalhadas na competição e ainda saem preparados para trabalhar em equipe, falar em público ou desenvolver pesquisas. Isso tudo é trabalhado no torneio”, enumera.


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