O Cabral, os "Cabrais" e o Brasil

No século XIX, trezentos anos após a chegada do Cabral, o Brasil já tinha núcleos urbanos estabelecidos, influenciados e mantidos pela atividade cafeeira. Leia mais...

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O Cabral, os "Cabrais" e o Brasil

Há exatamente 516 anos, os primeiros portugueses chegaram ao Brasil, entre eles Pedro Álvares Cabral que logo iniciou a exploração do território brasileiro em busca de recursos naturais, realizando atividades predatórias para extração da madeira, e depois veio o plantio de cana-de-açúcar para a produção e exportação de açúcar. A partir da chegada de Cabral, no ano de 1.500, a população de colonizadores fixou residência no litoral brasileiro e apenas no século XVII deram início à penetração no território. Com a expansão da produção de açúcar no nordeste, o povoamento se intensificou. Os primeiros povoados do Brasil foram as Vilas de São Vicente e Piratininga. A pecuária bovina e a exploração de minérios se desenvolveram em seguida nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A exploração da cana-de-açúcar e a criação de gado impulsionaram a ocupação do território brasileiro nos séculos XVI e XVII. Já a mineração, com a exploração do ouro, contribuiu para a formação dos primeiros núcleos urbanos do país. No século XIX, trezentos anos após a chegada do Cabral, o Brasil já tinha núcleos urbanos estabelecidos, influenciados e mantidos pela atividade cafeeira. Rio de Janeiro e São Paulo foram as cidades mais desenvolvidas desse momento, contando com a expansão da rede ferroviária e o crescimento demográfico do estado. Toda essa exploração teve um custo alto para o Brasil. Vários estados acabaram desmatados para a criação de áreas de pastagem e plantações. Como podemos verificar, o modelo de colonização portuguesa implantado no Brasil causou grandes prejuízos para os indígenas nativos e também para muitas gerações de brasileiros que ainda sofrem com a dilapidação de nossos recursos naturais, que são nossas maiores riquezas. Como podemos constatar nesse breve relato, desde o início da colonização brasileira, sofremos com a falta de patriotismo de nossos governantes, que se multiplicam em inúmeras repartições públicas, perpetuando o atraso em nosso país. É claro que não podemos colocar todas as mazelas econômicas e sócias que enfrentamos no Brasil apenas na conta do Cabral. Depois dele, muitas outras autoridades assumiram importantes posições em nosso Poder Público e não demonstraram o amor e nem a competência necessária para fazer de nossa terra uma grande nação. Assim como os nativos brasileiros sofreram nas mãos de Cabral, continuamos sofrendo, nas mãos do Cabral. Não, não. Não estou falando do ‘velho’ Cabral que iniciou a exploração no Brasil, agora estou falando do ‘novo Cabral’, o ex-governador do Rio de Janeiro que foi preso pela Polícia Federal neste mês na Operação Calicute, ação que investiga um suposto esquema de cobrança de propina em obras durante a gestão Cabral, que funcionou entre 2007 e 2014. Ao contrário do ‘antigo’ que se ocupou da exploração de recursos naturais, o ‘novo’ cobrava propina de empreiteiras para fechar os contratos com o governo do Rio. As construtoras, por sua vez, se consorciaram para fraudar licitações e sabiam previamente quem iria ganhar as concorrências. Os investigadores dizem que 5% do valor do contrato ia para Cabral e 1% para a Secretaria de Obras. Cabral recebia das empreiteiras “mesadas” entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. O esquema envolveria ex-secretários de Cabral e assessores. A Calicute é um desdobramento da Operação Lava Jato e teve como base as delações premiadas do ex-dono da Delta Engenharia Fernando Cavendish, da empreiteira Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia – que afirmam terem pagado propina por obras como a do Maracanã, do PAC das Favelas e do Arco Metropolitano. Os desvios chegam a R$ 220 milhões segundo estimativa dos investigadores. Eles acreditam que mais empresas possam estar envolvidas no esquema. Assim como o ‘antigo’ Cabral era chegado em um ouro, o ‘novo’ também se mostra afeito ao luxo e a ostentação e se esbaldou com o dinheiro da propina, comprando bens de luxo como joias, vestidos de festa, obras de arte, um helicóptero e uma lancha avaliada em R$ 5 milhões. O Cabral ‘novo’ causou sérios prejuízos para a população fluminense, mas, certamente, podemos afirmar que ele não é o único responsável pela complicada e difícil situação socioeconômica que enfrentamos no Brasil, porque ainda temos muitos ‘Cabrais’ espalhados por nosso país proliferando a miséria no seio de nossa sociedade.


 

Diego Cobucci - Agência Expresso

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