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Da chuva que caía

É melhor sentir escorrer pela face a água da chuva do que as lágrimas de choro que também escorrem com a maior facilidade. Leia mais...

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Da chuva que caía

Há uma certa dificuldade de exprimir sentimentos quando crescemos, e vejo isto pelo que fui e pelo que sou, um retardo sentimental, à coragem se esvai e o medo cresce como erva daninha, no meio da essência! O crescimento vem com aprendizados, mas também perdemos coisas pelo caminho que nunca poderiam ser esquecidas, coisas constantemente vivenciadas! Não consigo ver adultos a encarar a mais bela intempérie da natureza. Do latim a “Pluvia” que mal nos toma quando envelhecemos e acovardamos com as quedas das gotas que caem, e logo fugimos em disparada! Quando criança, conseguimos ver a beleza em tudo, ou tudo é o puro sentimento. A liberdade do erro cometido! É melhor sentir escorrer pela face a água da chuva do que as lágrimas de choro que também escorrem com a maior facilidade. Talvez pela idade que tínhamos nos vinham como respostas as lágrimas, de felicidade ou de dor. O gosto da água salgada muitas vezes chegava a nossos pequenos lábios como um sinal de que algo não ia bem! Lagrimas são gritos em estado de condensação! Era nossos pedidos, quando ainda não sabíamos falar, uma espécie de código Morse do sistema límbico. Quando uma nuvem escura surgia, havia a expectativa da vinda de algo deslumbrante, a cada gota que solitária surgia, aparecia avisando que vinham muitas outras a seguir! Da coalescência necessária na queda, gotas que unem para um impacto mais forte no rosto de quem aguardava! E quando ficava forte, mirávamos corajosos a face para o céu, e de olhos fechados ficávamos parados para simplesmente sentir, como uma forma de recepção; dizíamos com a alma: “Seja bem vinda!” Era o melhor banho! Independente de encharcadas as roupas e a tosse como pagamento pela ousadia vinham também um breve xingamento, de alguém que julgava responsável por qualquer ato nosso mais extravagante! Havia um arrependimento que rapidamente era esquecido! Crianças a descobrir com o toque líquido do novo! A proteção da casa também nos dava a alegria ao ver da janela a continuação do show, o som a sua maestria! O grito do trovão era o que nos arrepiava! Antes procurava respostas em tudo, tantosos porquês, cansava a quem tinha de responder sempre, hoje amo não ter nenhuma, vem um falso pressentimento de não gostar do que vou ouvir, um mimo em não aceitar algumas verdades! Queria saber o motivo daquele show na infância, hoje sei que era o necessário milagre a saciar a sede do mundo! Nunca aceitei bem dizer sobre o barulho da chuva, pois não era, e sim a pura melodia! Não existia sensação de alegria maior do que ficar abaixo da chuva que caía!


 

Texto extraído do livro Escultor de Frases, do escritor barbacenense George Loez

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