A medíocre arte

 Texto extraído do livro Escultor de Frases, do escritor barbacenense George Loez. Leia mais...

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A medíocre arte

 

Achava-me o máximo na arte de delinear, um exímio criador! Sempre começava a trabalhar com todo afinco na concepção, pela beleza e composição. Já havia feito isto antes, mas não igual a esta! Era a ideia que ficava a martelar na mente de um verdadeiro artista, assim acreditava! Tinha esta certeza por sempre pensar que a última era melhor que a anterior, por isto me decepcionava tanto e que a concepção do artista está na beleza imposta pelo seus próprios olhos! Pela dificuldade em moldar, sentia a solidez, era por conta da minha insensatez em tentar converter o que não era possível! À principio parecia fácil o trabalho, existia uma falsa maleabilidade, por não conhecer tão bem a matéria prima a ser modificada, como se pudesse! Esta era a resposta de uma mente deturpada, mas depois vinha apenas a decepção e um certo cansaço! Pobre sonhador! Quando achava que estava completo o trabalho, exaltava e falava a todos com orgulho, como eu sentia ao ver com deslumbre os mínimos detalhes! Muito estranhava e me deixava irritado quando não enxergavam o que eu queria mostrar e passavam uma perspectiva totalmente contraditória do meu ver! Talvez não era tão bom quanto pensava que era, a imaturidade não me fazia entender ! Não era nenhum artista que fazia, a arte já estava pronta! Tolo de projetar no outro a figura que queria ver, na verdade era um inconsequente e mesquinho manipulador, achando que poderia transformar o outro a meu modo! Tentando destorcer o que não poderia ser destorcido, modificar o que não poderia ser modificado, a realidade propriamente dita! E por conta disto, no fim de todo relacionamento, desiludia! Era assustador perceber que nada era como imaginava, e minha mente criava por conveniência uma ilusão. Uma mente doentia permitia a visão de toda uma expectativa de perfeição! Como se fosse possível! A manipulação e o uso covarde de impor o outro como um mero objeto a ser usado! É muitos ainda ao seu bel-prazer, sem nenhuma ideia de respeito, tentam exprimir a medíocre arte de tentar modelar a imutável natureza humana.


 

 Texto extraído do livro Escultor de Frases, do escritor barbacenense George Loez

 

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