Equilíbrio

Texto extraído do livro Escultor de Frases, do escritor barbacenense George Loez. Leia mais...

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Equilíbrio

 

Era esperado que eu caísse mais uma vez! Mas a coragem de arriscar me impulsionava, quantos tombos teria que levar para mostrar que estava pronto? É assim a vida com suas perguntas incoerentes para nossas respostas vis! Existiram duas possibilidades a serem tomadas; continuar ou desistir e a segunda me parecia mais cômoda pela facilidade da desistência e a certeza da falta de desapontamentos futuros! A dor momentânea é que nos faz desistir, em contra partida e a que nos faz resistir também! O calejamento e uma espécie de armadura de guerra que se forja com tempo! Extremamente útil quando lutamos primeiramente contra o eu, nosso inimigo mais próximo, numa guerra sem fim! Tenho nojo do comodismo, deste tipo de poltrona desconfortável da inércia existencial, onde insistimos em nos acomodar assistindo o filme da evolução externa, impressionados com atuações perfeccionistas do outro, sempre nos achando meros espectadores do mundo ao redor! Mas eu ainda tentaria mais uma vez, sem me importar com as quedas passadas! Além do difícil equilíbrio almejado, vinha junto o esforço físico e mental, pois o desgaste das tentativas eram de certo modo corrosivas e já tinham eliminado com uma boa parte da minha esperança, não sabia da proporção que era preciso resistir, só a expectativa da superação me alimentava o ânimo da conquista. Me subjugar era um fardo pesado, não tinha a ideia do quantitativo que carregava, mas ainda era suportável! Até quando e porque prosseguir? Eram estas as perguntas mais frequentes! Porque nos questionamos tanto em provas de superação, muitas dúvidas surgem por conta do medo de fracassar, talvez seja esta a real necessidade para este diálogo interno! Nunca havia uma réplica sequer, por mais que buscasse! Até que veio a resposta em forma de conquista, foi quando me mantive ereto pela primeira vez dentro do equilíbrio do meu corpo, totalmente afastado do chão em que me acostumara apoiar! Agora estava eu a sentir a segurança, o domínio, confortavelmente sentado no banco de minha bicicleta, rindo das primeiras pedaladas cambaleantes e das torções que dava sem querer no guidão que me guiava, idêntico ao destino da minha vida! Foi então que descobri que dali em diante seguir a existência era uma questão de posicionamento e coragem. Aceitando o empenho da luta pessoal de cada dia, igual ao esforço das primeiras pedaladas a me impulsionar, quando ainda aprendia a andar de bicicleta! Hoje apenas sinto a leve brisa a tocar meu rosto enquanto vou pedalando, solto, confiante, muitas vezes de braços abertos, tranquilamente me divertindo vendo a paisagem ao redor!


 

Texto extraído do livro Escultor de Frases, do escritor barbacenense George Loez

 

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