Colégio Imaculada festeja 120 anos e o primeiro aniversário do museu

No dia 8 de Maio foi comemorado o 120º aniversário de fundação do Colégio Imaculada Conceição, obra idealizada e construída pela Irmã Paula Boisseau. Na mesma data celebra-se o primeiro aniversário do Centro de Memória Irmã Paula Boisseau, um museu repleto de objetos e reliquias históricas do colégio.

 

 

 

Colégio Imaculada festeja 120 anos e o

 

primeiro aniversário do museu

 

No dia 8 de Maio o Colégio Imaculada Conceição completou 120 anos de fundação, e o Centro de Memória Irmã Paula Boisseau, completou seu primeiro aniversário. O Centro de Memória é uma homenagem à Irmã Paula, que foi quem idealizou, financiou, construiu e deu a Barbacena o colégio

 

 

No dia 8 de Maio foi comemorado o 120º aniversário de fundação do Colégio Imaculada Conceição, obra idealizada e construída pela Irmã Paula Boisseau.

A diretora do colégio, Irmã Maria das Graças Alves, juntamente com professores, funcionarios e alunos do Colégio Imaculada Conceição, comemoram também o primeiro aniversário de criação do Centro de Memória Irmã Paula Boisseau, inaugurado em 2014, e que apresenta ao público o rico acervo do colégio, com exposição de hábitos, vestimentas, telas, relíquias e objetos históricos da escola religiosa.

 

Centro de Memória Irmã Paula Boisseau

 

O memorial da Irmã Paula conta com duas amplas salas do Colégio Imaculada Conceição que receberam toda a estrutura museológica necessária para abrigar o acervo de peças históricas da Irmã Paula, assim como objetos e relíquias do educandário.

O trabalho museológico ficou sob a coordenação da Irmã Epomina da Conceição Pereira, que coordenou junto de outras Irmãs e de profissionais contratados pelo colégio, a elaboração e confecção de mobiliário, cortinados, reprodução de vestuários de época e identificação de peças, além de todo o projeto de segurança e disposição dos objetos.

O projeto de criação do memorial nasceu dentro da gestão da Irmã Emília, então diretora do Colégio Imaculada Conceição, e foi levado a cabo já na gestão da atual direção, que tem à frente a irmã Maria das Graças.

O memorial ficará aberto a visitação às segundas e sextas-feiras, de 8 às 12 horas, e nas terças, quartas e quintas-feiras entre 13h30 e 17 horas. As visitas também poderão ser agendadas com a secretaria do colégio.

 

 

Conheça um pouco da história da Irmã Paula Boisseau:

 

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A IRMÃ PAULA:

Irmã Catherine Amélia Boisseau

Data de nascimento: 9 de Fevereiro de 1846

Natural de Rochefocauld

Nacionalidade: França

Filiação: João Baptista Boisseau e Ana Maria Thereza Lacroix

Batismo: 22 de fevereiro de 1846

Vocação: 31 de maio de 1870

Envio em missão: 11 de março de 1871

Missão Ad Gentes: Rio de Janeiro 1881

Irmã Servente do Colégio Imaculada Conceição em 1888

Fundação do Colégio Imaculada Conceição: 8 de Maio de 1885

Falecimento no Colégio Imaculada Conceição: 28 de Dezembro de 1926

 

A HISTÓRIA DA IRMÃ PAULA BOISSEAU

Em Paris, onde estudava, Cathérina Amélia sentiu inclinação para a vida religiosa. A princípio pensou no Carmelo. Deus, porém, a esperava entre as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, das quais Voltaire já dissera: “Na terra nada mais admirável que a Irmã de Caridade”.

Foi admitida à Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo a 31 de Maio de 1870, com 24 anos. Quando recebeu o hábito e o nome de Irmã Paula, ela começou a exercer o Magistério em um colégio de Paris.

Como desejasse ardentemente trabalhar nas missões estrangeiras, foi enviada ao Brasil, onde, como enfermeira, permaneceu durante dez anos na Santa Casa do Rio de Janeiro.

Depois, por ocasião de flageladora epidemia em Mato Grosso, foi prestar seus serviços naquelas paragens.

A 6 de Maio de 1888, celebrou-se um contrato entre a Santa Casa de Barbacena, em Minas Gerais e a Companhia das Filhas da Caridade que foi firmado pelo Dr. Francisco de Paula Pimentel, então Provedor da instituição e a Superiora Geral, representada pela Irmã Chantrel, a Visitadora das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, residente no Rio de Janeiro. Ele determina as condições pelas quais este hospital se confia à dita Companhia, e conforme o artigo 1º do contrato, há determinação de que, inicialmente, viriam três Irmãs. E, ao final, expressa o seguinte desejo: “Pode-se anexar também ao estabelecimento um internato para meninas.”

Irmão Paula Boisseau foi nomeada a Irmã Servente das Irmãs que vinham trabalhar em Barbacena.

A Santa Casa, com toda sorte de dificuldades para se manter, encontrou na bolsa generosa de Irmã Paula os socorros necessários. Em gratidão por todos os seus valiosos serviços, a Mesa Administrativa da Santa Casa quis dar à enfermaria das mulheres o nome de Irmã Paula, como se lê na Ata de 26 de Novembro de 1894. A Irmã, agradecida, declinou a homenagem solicitando que fosse transferida para o fundador da Companhia Filhas da Caridade, São Vicente de Paulo. E a enfermaria ficou chamada São Vicente de Paulo, conforme consta na Ata de 24 de Dezembro de 1894.

Cuidando com muito amor dos pobres doentes, a Irmã Paula não esqueceu a sua vocação de educadora. Percebeu a gravidade do problema educacional da juventude feminina de Barbacena, de Minas. Ante o pedido do provedor da Santa Casa, José Máximo Abigail Cruz Machado: “se entre os ricos era assim, o que pensar da situação das moças pobres.” Quis então fundar um colégio “destinado a ser foco de luz e escola de virtude”, para as meninas e jovens da cidade e dos arredores.

Irmã Paula conseguiu de seus superiores da França licença para executar o plano. Obtém-na também na Provedoria da Santa Casa e instalou com recursos próprios o Colégio Imaculada Conceição em uma dependência da Santa Casa de Misericórdia, a 8 de Maio de 1895.

Era um internato com número limitado de vagas, devido à escassez de espaço. Havia ainda na Santa Casa um externato, onde algumas dezenas de alunas, em sua maioria pobres, recebiam o ensino gratuitamente. A renda líquida do colégio, a Irmã Paula entregava aos cofres da Santa Casa.

Ela encontrou na pessoa de Irmã Antoinette (Ir. Andrelina Lobo), uma pernambucana, nascida em Olinda a 25 de Dezembro de 1840, e que chegara à Santa Casa em 1893, uma grande auxiliar na organização do Colégio Imaculada. Vivendo muito perto de suas alunas, sabia ouvi-las e orienta-las. Firme, rigorosa quanto à mora e boas maneiras, Ir. Antoinette Lobo era o anjo da guarda que velava sobre as joven na Capela, no dormitório, refeitório e recreios.

Mãos de fada para trabalhos de aguda e bordado, despertava nas alunas gosto por eles. Foi responsável pelas Filhas de Maria Imaculada e gozava de sua admiração, amizade e confiança.

Ir. Antoinette, depois de trabalhar 32 anos em Barbacena, faleceu santamente, no dia 9 de Setembro de 1925.

O Colégio Imaculada, apenas iniciado, ganha fama. As matrículas aumentam e com elas a necessidade de outro local para instalar-se.

A 30 de Junho de 1899, a Mesa Administrativa da Santa Casa consignou na Ata, elogios à Irmã Paula e Irmãs pelo zelo e dedicação empenhados no andamento de todo o serviço hospitalar e, por unanimidade de votos, concordou em vender à Irmã Superiora o terreno de frente às suas instalações para a construção do colégio.

Irmã Paula comunicou-se então com seu pai que lhe promete arcar com todas as despesas da construção do prédio, à simples condição de ser ele uma réplica de seu castelo. Ela aceitou a proposta.

A 5 de Setembro de 1899, às 15 horas, realizou-se a benção e lançamento da Pedra Fundamental que ficaria sob a porta principal do edifício. Autoridades, senhores, admiradores da Obra, famílias Inteiras abrilhantaram a cerimônia e levaram à irmã aula e suas Irmãs congratulações e homenagens pelo início da construção do Novo Imaculada “em cujo programa de ensino a religião terá o lugar de honra que lhe compete. (Pe. Marcos, em Cidade de Barbacena, de 10.09.1899).

Registrada a presença da Banda de Música “Correia de Almeida”. Confirmado na ocasião que o prédio seria erguido totalmente às expensas da Família Boisseau, o que foi realizado.

Terminada a construção, o “castelo” foi inaugurado no dia 8 de Maio de 1900 para grande alegria da Irmã Paula e Irmãs, e felicidade de toda Barbacena.

No colégio novo continuavam sendo recebidas apenas alunas internas, para não prejudicar a matrícula da Escola Normal da cidade. Foi feita exceção para Stela Cruz Machado Vilela. Todo o ensinamento de Irmã Paula se baseava na virtude da amabilidade. Além de vive-la no seu dia-a-dia, quando nos domingos e dias santificados falava às alunas e aos ouvintes repetia com seu português afrancesado e voz contente, o seu refrão preferido: “E sobretudo, tenham sempre muita amabilidade”.

Aliviar sofrimentos, difundir instrução – sua maneira de evangelizar – faziam de Irmã Paula a Filha d Caridade, segundo o coração de São Vicente: humilde, apesar de sábia; simples e reta, mesmo sendo elegante e bonita, caridosa para com os ricos e pobres, porque neles via e servia Jesus Cristo.

Também no ano de 1900, no dia 1º de Fevereiro, Irmã Paula fundou a Escola Normal Imaculada Conceição, que foi equiparada às Escolas Normais do estado, mais tarde, pelo Decreto 1614, de 7 de Julho de 1903.

Neste mesmo ano, Irmã Paula foi proclamada membro nato da Confraria da Santa Casa, por seu tipo administrativo, prudência, doçura enérgica, amor aos pobres e às suas Irmãs.

Em setembro de 1905, o Inspetor Augusto Júnior de Moraes Carneiro escreveu a respeito do Colégio Imaculada Conceição: “Modelada pela barca de Pedro, que obedeceu ao Arquiteto Supremo, eis a escola que construiu em Barbacena, Irmã Paula: - a Imaculada Conceição iluminando a nóos outros Caminhos, a Verdade, a Vida.”

A 7 de Outubro de 1917, criou a Associação das Filhas de Maria Imaculada no colégio; a da Santa Casa já existia desde agosto de 1891.

De 1888 a 1917, tempo em que as duas instituições - Santa Casa e Colégio Imaculada Conceição – tinham a mesma Superiora, também algumas Irmãs, além da ir. Antoinette Lobo, trabalhavam lá e cá. Zelavam pela vida de Oração e de fraternidade. Quanto às alunas, cuidavam, de modo especial, da formação religiosa.

Num dos avisos deixados às Irmãs pela Irmã Oinal, Visitadora extraordinária, lemos: “Minhas Irmãs, as senhoras têm uma grande missão a cumprir junto das jovens que se formam para professoras. O zelo pelas alunas deve animá-las a nada negligenciarem, para que se tornem senhoras sérias, cristãs e, por conseguinte, cumpridoras do dever...”

Durante vinte e oito anos, Irmã Paula dirigiu os destinos da Santa Casa e do Imaculada. De 1917 a 1923 foi Superiora somente do colégio.

Neste período, no dia 30 de Janeiro de 1919, foi que chegou ao Imaculada a Irmã Maria Alves (Ir. Raymunda Alves), “esteio e caridade” do colégio. Nele viveu setenta e dois anos de dedicação às alunas, aos pobres, à comunidade e à Capela do estabelecimento.

Em 1923, último ano em que a Irmã Paula dirigiu o Colégio Imaculada Conceição, nele trabalhavam as seguintes educadoras: Ir. Vicência (Ir. Eugênia Henrique Duarte), Ir.Lúcia (Maria Vitalina Magalhães), Ir. Maria Alves, Ir. Thereza Braga, Ir. Luíza, Dª Maria Lima e Dª Petrina de Azevedo Coutinho, Irmã Margarida (Ir. Carolina Dias Coelho), que era uma excelente Irmã, e cuidava da cozinha.

Nos últimos três anos de sua vida, Irmã Paula a todos comovia pela humildade e obediência prestada à sua sucessora, Ir. Lafourcade.

Irmã Paula Boisseau faleceu no dia 28 de Dezembro de 1926, aos 80 anos de idade e 56 de vocação, deixando após si, um nome pelos ricos, pelos pobres, por suas Irmãs, alunas, pais, por Barbacena inteira e por Minas.

Foi sepultada no Cemitério da Boa Morte, de Barbacena. Seu enterro foi acompanhado por sacerdotes, autoridades, por suas Irmãs e alunas, por ex-alunas, pelo povo, por ricos e pobres.

Deus que a acolheu na eternidade de seu amor permitiu que sua memória permanecesse viva.

 

 


 

Fonte: Jornal Pró-Memória – Ano 01 – Edição Extraordinária – Maio de 1995

Direção: Maria Gabriela de Andrada Serpa e Cláudia B. Oliveira

Coordenação: Antônio Vicente Feres

 


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