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Ingenua idade

Temos na vida que desfazer das coisas que são desnecessárias a sobrevivência, que apresentam como peso que carregamos com certo grau de periculosidade. Leia mais...

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Ingenua idade

 

Quando veio o amadurecimento? Não consegui discernir o exato ano da transformação, aonde deixei para trás tudo o que achava que sabia. Bom! Quase tudo! Existiram algumas sobras das experiências da infância, talvez a mais marcante foi descobrir que era muitas vezes deturpada o significado da palavra confiança. Dentro deste novo conceito adquirido, percebi que antes seguia um mapa contraditório para onde deveria ir, de conselhos à ideias que não eram apropriadas, acreditava que iriam me levar a um lugar mágico, mas sempre me deparava com as cíclicas promessas vagas, sempre chegava de encontro à desilusão! Simplesmente por não saber distinguir! Mas como discernir o que é certo ou o que é errado sem momentos de dúvidas vivenciados como aprendizado! Foram muitas as quedas até atingir o equilíbrio! Eu ouvia muitos relatos distorcidos de histórias equivocadas ou experiências que nunca existiram, confabuladas para ludibriar em troca de alguma coisa que eu poderia dar. Queriam a minha inocência! A gratuidade não existia sem um mínimo de interesse, e isto foi um custo assimilar, só aprendendo por base de um empirismo próprio, quando eu percebi que não havia mais nada nas mãos como troca, nada vinha como eu esperava, e o cansaço do aguardo me fez perceber o quanto eu tinha perdido. Temos na vida que desfazer das coisas que são desnecessárias a sobrevivência, que apresentam como peso que carregamos com certo grau de periculosidade, que vão decompondo com o desabrochar do intelecto. A infância tem certa candura, típica atitude que se perde com o senso, idêntico a troca natural da arcada decidual pela permanente. Tem de se ter esta mudança no caminho do desenvolvimento humano. Ainda me lembro do doce sabor da credibilidade em tudo, das verdades que saltavam de todos que se aproximavam, cada qual com a sua dissimulação a ser apresentada na versão mais conveniente, tirando algum proveito a frente à singeleza, esta espécie de pote vazio e casto onde se cabe tudo. Eis que vem a maturidade como luneta a ver de perto o que precisa estar longe, é um certo afastamento para maior segurança, uma espécie de placa visível com os dizeres “mantenha distância” que lhe cerca e protege da mediocridade alheia. A inocência e bela de encontro com a inocência! Pois tem o mesmo tipo de entendimento sem a necessidade da sagacidade na comunicação. Ao lembrar da infância me vem um saudosismo de um tempo bom que cheguei a experimentar a total despretensão, mas tudo passa, tende a passar. Então agora me vendo crescer, a cada dia vou perdendo aos poucos os pedaços da doce e saudosa ingenuidade pelo caminho!


 

Texto extraído do livro ‘Escultor de Frases’, do escritor barbacenense George Loez

 

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