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Neto de escravos da região prepara homenagem para Princesa Isabel

Desde o ano de 2012, João Paulino prepara as homenagens especiais, que chama da ‘Atos’ e viaja para o município carioca no dia 13 de maio. Leia mais...

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Neto de escravos da região prepara homenagem para Princesa Isabel

Pelo quinto ano consecutivo, o poeta, lavrador e neto de escravos, João Paulino Barbosa se prepara para viajar para a cidade de Petrópolis no mês de Maio para homenagear a memória da filha do Imperador D. Pedro II, princesa regente Isabel (1846-1921), que assinou a Lei Áurea, lei que libertou todos os escravos do Brasil, no ano de 1888.

Desde o ano de 2012, João Paulino prepara as homenagens especiais, que chama da ‘Atos’ e viaja para o município carioca no dia 13 de maio, para celebrar a data na qual, a filha do Imperador D. Pedro II, princesa regente Isabel, assinou a Lei Áurea, lei que libertou todos os escravos do Brasil, no ano de 1888.

Como nos anos anteriores, João Paulino já prepara sua bagagem em que leva um banner com uma poesia que compôs para a princesa e buquê com 128 rosas, cada uma representando um ano de liberdade para depositar no túmulo da princesa Isabel, na Catedral de Petrópolis e agradecer pela liberdade.

Aos 72 anos de idade, o artista popular, nascido em Desterro do Melo, então município de Barbacena, conta que seu avô, homem negro como ele, que se chamava apenas Paulino, foi trazido da África na segunda metade do século XIX e escravizado nas terras dessa mesma região, onde João Paulino vive hoje, para trabalhar nas roças.

João Paulino não o conheceu, mas ouviu do pai, durante a infância toda, como era a vida na senzala, os castigos impostos àqueles que desobedeciam e como o seu avô Paulino era um homem obediente, que não causava problemas aos patrões. Em entrevista concedida ao jornalista Vitor Hugo Brandalise e publicada no ano de 2015 no jornal O Estado de São Paulo, João Paulino lembra que o pai também comentava que, se tivera a oportunidade de nascer homem livre, era graças a uma senhora bondosa chamada Princesa Isabel. E que ele, João Paulino, deveria agradecer sempre à Princesa, por poder viver ali no seu pedacinho de terra, seu rancho, dentro da propriedade dos patrões, por poder plantar a horta de feijão e mandioca e pelas moedas que agora, às vezes, sobravam para o resto dos mantimentos.

Era tudo graças a Isabel, filha do imperador do Brasil, que assinara a lei que libertou os escravos, inclusive o seu avô. Nascia ali uma devoção. Até mais do que isso, já que, além de lavrador, João Paulino escreve versos. Em 2015 o poeta foi homenageado na Câmara dos Deputados com o discurso do deputado Misael Varella que destacou o depósito de rosas no túmulo da Princesa Isabel, na Catedral de Petrópolis, ao ensejo do transcurso dos 127 anos da abolição da escravatura.

 

A homenagem realizada por João Paulino também foi destaque na imprensa nacional. Em entrevista concedida ao site G1.com, ele destacou que, “a liberdade é um dos maiores bens que as pessoas têm nos dias de hoje. Agora estou aqui, amanhã posso voltar para a minha cidade ou ir para onde eu quiser. Posso dizer o que o quero, sem que isso ofenda ninguém, é claro, mas sem ter medo de ser condenado. É o maior bem da humanidade, e a menor sombra de dúvida”, opinou.


 

Agência Expresso

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