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A liberdade alheia à posse

Qual o meu erro? O que fiz para estar ali? Talvez não existisse algum motivo que me levasse aquela situação, talvez minha natureza já estivesse fadada aquela única experiência pelo resto da vida. Leia mais...

LITERATURA

 

A liberdade alheia à posse

O mundo definitivamente não era daquele tamanho, da paisagem ao redor aquelas listras não faziam parte do contexto, me incomodavam, pois criavam uma ideia de limitação, naquele espaço eram poucas as possibilidades, a sobrevivência era precária, pois vinha de um desejo diferente ao meu, a crença de ser o suficiente era criada por uma mente alheia. Não me lembro de ter nascido naquele confinamento, outrora tinha visto um mundo muito maior, mas esta certeza estava se tornando vaga, a condição em que me encontrava era de certa forma aceitável pela incapacidade de qualquer possibilidade de fuga.

Não que estivesse isento de cuidados, mais existia uma ideia maior de posse do que de satisfação do outro, e este outro era eu, me sentia uma propriedade, até quando teria que viver me sujeitando aquele tipo de existência. Qual o meu erro? O que fiz para estar ali? Talvez não existisse algum motivo que me levasse aquela situação, talvez minha natureza já estivesse fadada aquela única experiência pelo resto da vida.

E meu lamento parecia um riso, acreditavam em uma falsa demonstração de alegria, um pensamento totalmente deturpado sobre qualquer emoção que eu apresentasse. Eu estava tão próximo de tocar a imensidão, mas a passagem era demasiadamente curta, a exatidão da ínfima passagem era torturante, como era cruel ver aquele cálculo de espaço onde me mostrava a incapacidade de qualquer saída.

 

A apresentação da minha infortuna vida era acolhida com satisfação! Ser livre era uma utopia perto da realidade, e uma concepção longe de meu alcance, a certeza de que estavam me mantendo vivo contrastava com a minha força por sobreviver! Um dia a benevolência bateu forte, foi um fortuito e forte sopro, o destino tinha se apiedado ou escutado meu pranto, veio então o vento como esperança, todo o conjunto foi abalado, parecia ter desprendido meu cárcere, e eu acreditei estar despencando para a morte mais fui arremessado para a liberdade, a gaiola se partiu e eu voei, teria que aprender a viver só, mas a liberdade valia qualquer esforço! A mais feliz imagem foi ver meu carcereiro segurar minha prisão nas mãos parecendo lamentar a minha perda, mas neste momento eu já me encontrava longe demais de qualquer emoção alheia à minha vontade. A aceitação é verdadeiramente uma reclusão. 


 

Texto extraído do livro ‘O escultor de frases’ do escritor barbacenense George Loez

imagem retirada do site jornaldacidade.com.br

 

Agência Expresso

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