A vida em braile

Minha vida agora é retratada pelas minhas rugas, uma espécie de escrita em braile feita na pele para releitura, onde o tempo foi escrevendo para que eu sinta ao toque de minhas mãos cansadas. LEIA MAIS...

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A vida em braile

No começo não tinha nenhuma noção como seria minha vida, daqui até a origem é definitivamente um retrocesso de contos vagos, são muitas as histórias passadas, muitos momentos vividos, diferenciados acontecimentos que me conduziram até os dias atuais, não carrego nenhuma identidade a tiracolo que identifique ao certo quantos anos tenho ou quantos vivi, dos cabelos branqueados quantas melaninas perdi, tenho um olhar cansado de tantas imagens vistas. Alegrias e tristezas se confrontaram incansáveis vezes dentro do contexto, e eu que sempre buscava a felicidade como uma ideia de conforto! Quantos anos vivi? Apenas uma vaga ideia apoiada por suposições, deduções criadas pelas marcas expostas, há certa duvida de quantas primaveras passaram ou por quantos outonos caminhei, e quantos invernos procurava me abrigar para fugir de qualquer desalento causado pelo frio, que nestas épocas se descortinam. As amizades homéricas constituídas por méritos que nem sei se tive, mas às conquistei, e carreguei um bom tempo por perto como livros de cabeceira, mas que um dia se foram, saíram com a sutileza de um truque de mágica, que faz desaparecer algo gigantesco bem a nossa frente sem nenhuma explicação plausível. Desafetos criados por algum equívoco, ou por falta de maturidade em saber lidar com algo mais frágil do que supunha ser. Dos amores que obtive no benefício da troca da mesma forma eu retribuí, no percurso acumulei aprendizados que me tornaram um sábio, e outros que não me levaram a nenhum lugar, quantos trabalhos árduos fiz com afinco para que sustentasse esta e outras vidas. No princípio engatinhei até que os joelhos não suportassem mais a dor e me exigissem uma postura ereta para andar, e agora ao final me curvo novamente em uma posição que me permita apoiar em algo além do meu corpo frágil para um locomover trôpego, com certeza por tantos esforços executados. E como sei? Minha vida agora é retratada pelas minhas rugas, uma espécie de escrita em braile feita na pele para releitura, onde o tempo foi escrevendo para que eu sinta ao toque de minhas mãos cansadas, faz isto para que eu lembre quando estiver totalmente cego acerca das minhas experiências adquiridas, e volte a ler o meu passado com alguma nitidez! 


 

Texto extraído do livro ‘o escultor de frases’, do escritor barbacenense George Loez

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