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Culpar o El Niño não é uma solução

A verdade é que ainda existem controvérsias em relação ao fenômeno. Cientistas acreditam que o efeito estufa fortifica seus efeitos e, nesse aspecto, as ações humanas de poluição do ar ajudariam no desencadeamento das características fundamentais do fenômeno. LEIA MAIS...

MEIO AMBIENTE

 

Culpar o El Niño não é uma solução

No final do ano passado o fenômeno climático El Niño voltou a ter grande veiculação nas mídias. Associado geralmente a grandes catástrofes naturais, como furacões, tornados, enchentes ou excesso de calor, “O menino”, da tradução do espanhol, tornou-se símbolo de diferentes associações: seja o mal que o homem causa ao planeta, através do aquecimento global, e que potencializaria o fenômeno, seja a quantidade de desastres provocados por esse que tem se tornado um dos maiores expoentes científicos de pesquisas climáticas na contemporaneidade. Mas, afinal de contas, o El Niño realmente é esse “menino” afoito? O que ele é o que a ciência nos diz sobre ele? A verdade é que ainda existem controvérsias em relação ao fenômeno. Grupos de cientistas acreditam que o efeito estufa fortifica os efeitos do El Niño e, nesse aspecto, as ações humanas de poluição do ar ajudariam no desencadeamento das características fundamentais do fenômeno; outros defendem que o ser humano, e suas atividades no planeta, não afetam em nada nas características desse evento climático, alegando que ele existe há séculos (primeira constatação oficial foi documentada no século XIX, século em que os níveis de poluição do ar não eram tão grandes como hoje) e que sempre existirá. O fenômeno é caracterizado por significativas alterações (com 15 e 18 meses de duração) na distribuição da temperatura da água do Oceano Pacífico, o que provoca efeitos variados no clima desse oceano e, fatalmente, de grande parte do planeta. O nome foi dado em referência à época do ano em que geralmente começa, em meados de dezembro, mês do Natal. Por essa razão, “O Menino” remete à criança Jesus Cristo. A América é o principal continente afetado: ondas de calor e o aumento da quantidade de chuvas são as maiores características do El Niño, e desencadeiam uma série de transtornos à humanidade, como a estiagem em algumas regiões, ou excesso de pluviosidade em outras, tragédias naturais, como furacões e tornados, ou ventos muito fortes. Obviamente, tais fatores potencializam crises de alimentos, saneamento básico, moradia e saúde em diversas regiões das áreas atingidas pelo fenômeno, razões essas que colocam o El Niño com um dos eventos naturais climáticos mais pesquisados na atualidade, e ainda sem definições concretas. Uma verdade científica, que pode ser facilmente constatada por cada um de nós, é que, muito mais que as adversidades trazidas pelo fenômeno, precisamos nos preocupar com a maneira como lidamos com o clima e suas amplitudes locais, regionais e globais. Muitos dos prejuízos, danos e tragédias provocadas pelo El Niño não ocorrem necessariamente em consequência direta dele, mas sim em decorrência de problemas humanos, de cunhos sociais, políticos e culturais. Exemplos? O aumento da fome de populações atingidas pela estiagem desencadeada pelo aumento das temperaturas; o alagamento de grandes centros urbanos, provocado por péssimas políticas públicas de escoamento de água pluvial, ou construções irregulares de moradas às beiras de rios e córregos; vulnerabilidade social de pobres e miseráveis a doenças alavancadas pelo aumento da umidade e calor, dentre tantos outros. Logo, fica mais uma vez claro que o planeta Terra é um agente ativo e vivo, que apresenta peculiaridades esporádicas, muitas delas totalmente avulsas a qualquer atividade humana. Os males que os eventos climáticos naturais, como o El Niño, trazem, sobretudo, são alavancados pela má utilização do homem dos recursos e espaços naturais onde vive. Se as sociedades globais, distribuídas entre os continentes e nações, por traços culturais, desenvolvessem estratégias eficientes de convívio entre a humanidade e a natureza, certamente os danos, males e prejuízos tragos pelos fenômenos naturais seriam reduzidos significativamente. Muito mais que culpar o El Niño, precisamos entendê-lo e respeitá-lo como um agente planetário. Talvez ele seja um dos maiores símbolos de que precisamos conhecer nosso meio ambiente, respeitar o que diz o planeta, traduzindo os sinais óbvios que a Terra nos envia cotidianamente, e amar em essência o mundo em que vivemos e compartilhamos, adquirindo sempre a sabedoria necessária para sobreviver às adversidades naturais e aprender com elas. Que a referência direta ao menino Jesus, símbolo do amor fraternal, nos faça compreender a necessidade de interpretarmos o planeta tal como os cristãos interpretam o cristo: uma criança que precisa ser cuidada, valorizada, respeitada e cultivada a cada novo amanhecer.


 

Delton Mendes Francelino Diretor Presidente e Professor Responsável do Instituto Curupira - Barbacena, MG Mestre - UFSJ - Sócio Linguística/ Análise do Discurso/ Teoria Crítica da Cultura Gestão e Planejamento de Áreas Naturais Preservadas/ Crítico Sócio Ambiental

 

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