Barbacena festeja os 125 anos da atuação maçônica na cidade

Professor Geraldo Ribeiro da Fonseca homenageia os 125 anos da atuação maçônica em Barbacena. LEIA E CONHEÇA!

 

125 ANOS DE ATUAÇÃO MAÇÔNICA EM BARBACENA

*Por Geraldo Ribeiro da Fonseca 

Em 14 de junho de 1895, foi instalada, em Barbacena, a LOJA MAÇÔNICA REGENERAÇÃO BARBACENENSE que, no curso de sua história, recebeu inúmeros títulos e galardões por sua atuação no contexto de Barbacena, de Minas e do Brasil.

No ano de 1872, instalou-se em Barbacena a Loja União Fraternal, de curta duração, seguida, em 1880, da Loja Operários da Luz, também de vida breve.

Nestes mais de cem anos, a Regeneração Barbacena congregou homens de todas as profissões, oriundos de  classes sociais distintas, visando a cumprir metas de aperfeiçoamento moral e prática da filantropia.

Finda a primeira guerra mundial, a Gripe espanhola chegou a Barbacena, ceifando vidas. A casa mãe da caridade, a maçonaria dos famintos e miseráveis, teve papel decisivo, socorrendo 1.019 famílias. Numa farmácia improvisada na loja, 217 receitas médicas foram aviadas e farta quantia em dinheiro gasta pelos irmãos com fornecimento de alimentos, medicamentos e transporte. O Grande Oriente do Brasil, por reconhecimento, outorgou à Regeneração Barbacenense o Título “Loja Augusta e Benemérita.”. 

Combatendo a ignorância, maçons instalaram e mantiveram na Loja uma Escola de alfabetização, tirando das trevas pobres e abandonados que aprenderam a ler e escrever com uma abnegada professora.

Já o Príncipe dos Poetas Mineiros, o irmão Maçom Honório Armond, registrou, em ata,  belíssimo discurso, por ele proferido, ao pé do túmulo do irmão Capitão Antônio Orlando, abatido pela Febre Tifoide. Este valoroso maçom, Antônio Orlando, era amigo de Alberto Santos Dumont. Praticando caridade, socorrendo doentes em Antônio Carlos e Barbacena, ele acabou contraindo a maléfica e devastadora febre que o matou, assim   como a centenas de pessoas. A maçonaria muito contribuiu nessa época. Isto lá pelos anos 30/40.

A feira livre de Barbacena foi idealizada, projetada e implantada por maçons da Regeneração Barbacenense, muitos dos quais ocupantes de cargos de destaque nos poderes Legislativo e Executivo.

De seu quadro de obreiros fizeram parte três Grão-Mestres e dois Presidentes do Legislativo Maçônico, além de bravos e combativos Deputados e assessores das administrações Centrais na Capital.

Sempre atentos ao progresso da cidade, os obreiros da arte real, maçons Barbacenense, apoiaram a Fundação das principais Faculdades e de várias outras Escolas. Sábios Mestres, vestindo seus aventais em Loja, honraram, na via pública, o Magistério, e   formaram gerações de líderes e vencedores.

Sempre combativa, a maçonaria de Barbacena   jamais compactuou com o descaso pela   coisa pública, condenando, sistematicamente, todas as mazelas de ordem política que levaram o país ao caos administrativo, vitimando-o pela Corrupção.

De Barbacena e da Regeneração Barbacenense saiu a campanha  “Corrupção Nunca Mais”, apoiada nacionalmente,  com muitas de suas ideias aceitas por Comissões do Congresso Nacional.

Neste momento dramático do ano 2020, quando os brasileiros,  recolhidos em  Isolamento Social obrigatório, combatem o terrível Corona Vírus, a data de 14 de junho não pode ficar esquecida.

Através do atual Venerável Mestre, Dr. Mauro Eduardo Jurno, de toda a Administração   e de seus obreiros, comemorando  seus 125 anos de fundação, a Loja Maçônica Regeneração Barbacenense uniu-se, virtualmente, a todas as seis outras Lojas da cidade, e distribuirá centenas de Bolsas de alimentos a pessoas carentes. 

           PARABÉNS!

           Loja Maçônica Regeneração Barbacenense;

           Loja Maçônica Portal da Mantiqueira;

           Loja Maçônica Luz das Vertentes;

           Loja Maçônica Estrela Serena;

           Loja Maçônica Fraterntat et Justitiae;

           Loja Maçônica Epaminondas Souza Costa;

           Loja Maçônica Cavaleiros da Inconfidência.

Nº 223.  Sabe-se que esta Loja teve sede própria em imóvel constituído de uma morada de casas assobradadas, coberta de telhas, tendo quatro portas no pavimento térreo e quatro janelas no primeiro andar, sita na Rua São Vicente, atrás da igreja do Rosário e junto ao cemitério. Adquirente: Sociedade Beneficente União Fraternal. João Augusto da Rosa foi seu primeiro Venerável, Eduardo Augusto Dalox, 1º Vigilante, José Pinto de Souza, 2º Vigilante, Thimoteo Cardoso Abranches Jr., Orador, e João Manoel de Oliveira Brasil, Tesoureiro. Este cidadão João Manoel foi valoroso combatente na Batalha de Tuiuti, na Guerra do Paraguai. Deu nome a uma Rua no Bairro São José.

“A Loja Operários da Luz”, de Barbacena, fundada no então Grande Oriente Unido, com Carta Constitutiva datada de 13 de fevereiro de 1880, teve vida breve e, segundo consta, manteve estreita relação com a Loja “ Operários da Luz”, também de Barbacena, fundada em 13 de fevereiro de 1880 e funcionando no Rito Escocês Antigo e Aceito.

O número do jornal “Gazeta de Barbacena, de 10 de junho de 188l, publicou a seguinte notícia, transcrita no Livro de nosso irmão historiador Dr. Paulo Ferreira Garcia:

“As Aug. Loj. Operários da Luz e União Fraternal vão unidas festejar o dia de São João seu padroeiro em uma sessão solene com assistência das famílias e convidam por esta os IIr. de abrilhantar este ato com suas presenças e das respectivas famílias. Barbacena,15 de junho de 1881. As. Matos e Rosa.

Meus irmãos!

Como justificar as ações dos barbacenenses no confronto das ideias e nos embates de ordem política, envolvendo o sistema Imperial e o emergente modelo Republicano? No tempo do fraque e da cartola, finalizando o século, monarquistas e republicanos de Barbacena, em 14 de junho e 1895, fundaram a Loja Maçônica Regeneração Barbacenense.

Foram eles: 

Venerável Mestre Instalador – Dr. Luiz Chapot Prevost – Francês de nascimento, cirurgião dentista, residia no Rio de Janeiro. Investido do Grau 33, veio a Barbacena com a finalidade de instalar a Diretoria Provisória da Loja Regeneração Barbacenense. O livro Ensaio sobre a Evolução da Maçonaria em Minas Gerais- 1822-2003, de autoria dos irmãos Armando Filippi Cravo, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Francisco José Pereira e Thales Roboão Penna, editado pelo Grande Oriente do Estado de Minas Gerais – GOB-, registra, na página 43, que o irmão Luis Chapot Prevost veio para Minas Gerais com a legião de operários encarregados da fundação da cidade de Belo Horizonte, então Curral D”El Rey, mudando-se de Barbacena, onde fora iniciado e chegou a ser Venerável, eliminado em 28 de janeiro de 1899 ( incurso no art.184). Consta que ele foi  o primeiro Venerável da Loja Marquês de Pombal da nova Capital, além de fundador da “Loja “ Deus Humanidade e Luz”, também de Belo Horizonte. O nome deste cidadão está ligado a outras lojas do interior de Minas. 

Venerável Fundador: Cel. Timóteo Ribeiro de Freitas- Não era barbacenense. Veio moço para a cidade. Titular do Cartório do 1º Ofício Judicial de notas de Barbacena, advogado solicitador, Coronel da Guarda Nacional e chefe dessa corporação em Barbacena. Foi nomeado inspetor da Instrução Pública em Barbacena. Foi Vereador e Suplente de Juiz federal. Foi nomeado Fiscal do Governo Federal junto ao Internato do Ginásio Mineiro. Pai do maçom José Alberto de Freitas, iniciado em 22 de agosto de 190l e avô do Dr. Wilson de Oliveira Freitas, iniciado na Reg. Barbacenense em 29/09/195l, médico fundador do atual Hospital da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena e Brigadeiro do serviço de saúde da Aeronáutica. Uma das netas do fundador da Loja, já nonagenária, foi descoberta, em 2006, num abrigo de velhos em Barbacena e assistida pela Loja Regeneração Barbacenense. Nosso “irmão goteira”, ilustrado cidadão, Sargento Ramos, conheceu e conviveu com estes últimos descendentes do fundador de nossa oficina e, gentilmente, ofereceu à Loja um retrato de nosso fundador. Embora não iniciado em nossos mistérios, o Sargento Ramos é estudioso da maçonaria e amigo leal.  

1º Vigilante: Vitalino Meniconi- Natural da Toscana, Itália, chegou em Barbacena oriundo da cidade de Mar de Espanha, onde fez parte da Loja Caridade Mineira. Foi iniciado no Rio de Janeiro na Loja “Philantropria e Ordem”, no ano de 1883. Embora Italiano falava bem o português e foi Orador de Loja por muitos anos. Foi fundador da Loja Labor e seu Venerável. Em 1902 tornou-se membro efetivo do Supremo Conselho do Brasil.  Seu filhos Álvaro e Atílio Meniconi também foram iniciados em nossa Loja Regeneração Barbacenense. 

2º Vigilante: Antônio Francisco da Fonseca – Provavelmente iniciado na Loja “União Fraternal”, em 1898 era Guarda fiscal do Matadouro de Barbacena e proprietário de uma colchoaria na cidade. 

Orador: Alfredo Amaro Renault- Nascido em 15 de janeiro de 1855, farmacêutico formado em Ouro Preto, proprietário da Farmácia Renault, instalada na Praça Conde de Prados de Barbacena, Vereador à Câmara Municipal de Barbacena por vários mandatos, chefe da famosa Campanha Civilista, avô do Dr. Abgar Renault, membro da Academia Brasileira de Letras e bisavô do Dr. Fernando Victor de Lima e Costa, advogado, professor e político brilhante de Barbacena. Este valoroso irmão foi venerável da Loja por nove vezes. Da família Renault descende, hoje, o atual 1º Vigilante da Loja Regeneração Barbacenense, irmão José Léo Renaut Grossi, empresário gráfico, destacado maçom e seguidor dos passos de seus ancestrais. 

Secretário: Arthur Joviano – Professor de português do Ginásio Mineiro, estudioso e autor de um método de alfabetização adotado em todo o Estado de Minas Gerais por muitos anos. Autor de vários livros didáticos. Diretor do Jornal “A Folha”, editado em Barbacena, tendo como seu Redator-chefe o renomado jurista Dr. Mendes Pimentel. Joviano Fernandes, seu irmão, também foi iniciado na Regeneração Barbacenense em 5 de setembro de 1895. 

Tesoureiro: Antônio de Azeredo Coutinho – Nasceu no Arraial Velho de Santana, então Distrito de Raposos, Município de Sabará, Província de Minas Gerais, em 15 de maio de 1857. Diplomado farmacêutico, em Ouro Preto, chegou a Barbacena estabelecendo-se na Rua XV de Novembro. Foi propagandista da República e Membro do Clube Republicano. Fez parte da Intendência Municipal que sucedeu à última Câmara Municipal do Império, ajudando na organização do município. Foi nomeado por Afonso Pena, em 1893, Escrivão do 1º Ofício da Comarca de Barbacena. Foi presidente da Liga Barbacenense Contra o Analfabetismo. Em 1930, ano de seu falecimento, foi um dos agitados defensores da Aliança Liberal. 

Mestre de Cerimônias: Dr. José Olívio de Uzeda Doutor em medicina pela faculdade da Bahia, major do Exército, veio para Barbacena, em 1891, acompanhar o Marechal de Ferro Floriano Peixoto em restabelecimento da saúde daquele positivista e republicano. Por sua influência foi fundada em Barbacena, entre os anos de 1894 a 1896 a Enfermaria dos Convalescentes do Exército, na estação do Registro, hoje Colônia Rodrigo Silva. Em 1894 ele residiu em Barbacena, na Rua Tiradentes com a esposa e um filho. Em junho de 1896 foi extinta a tal enfermaria e Uzeda foi transferido para o Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro. Findou sua carreira militar como Chefe do Serviço Sanitário do Exército, em Niterói. 

Cobridor: Francisco (Maronac) Marcucci- Natural da Itália. Foi iniciado no dia da fundação da Loja. Era proprietário do Hotel Martineli.

 Achavam-se, também, presentes à sessão de fundação da Loja os irmãos: 

José Joaquim Cavalheiro Residente em Pedra do Sino. Provavelmente iniciado na Loja União Fraternal. Já era detentor do Grau 18 quando participou da fundação da Regeneração Barbacenense.

Foi este irmão quem levantou fundos, através de óbulos na Loja, para a construção da torre da Igreja do Rosário, em 1886.

Camilo de Castro Leite- Nascido em Barbacena em 16 de maio de 1848 e falecido em 1931. Foi republicano convicto e Tesoureiro do Clube Luz e Liberdade, cujo presidente era o maçom Arthur Joviano. Foi eleito Juiz de Paz da cidade. Foi nomeado Coronel da Guarda Nacional e fez parte do Partido Republicano Mineiro como amigo e correligionário do então Senador Bias Fortes. Foi o primeiro ecônomo da Assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais, cargo em que se aposentou. 

No dia 20 de abril de 1900, descendo a Mantiqueira, os maçons barbacenenses viajaram para a vizinha e florescente cidade de Palmira, hoje Santos Dumont, para se hospedarem no Hotel Lobosco, de Vicente Romano Lobosco e, numa de suas salas fundar e instalar a Loja Maçônica União Palmirense, hoje minha querida Loja Antenor Aires Vianna de quem orgulho ser um dos seus biógrafos. 

Entre 1895 a 1925 nossa Loja teve 14 Veneráveis, dentre eles o Barão Hugo Von Krauss, natural de Partubice, na Tchecoslováquia, perto de Praga. Ainda jovem, enamorou-se de uma princesa cuja família se opôs ao casamento. Desiludido, fez voto de celibato e veio para o Brasil em 1893. Foi o primeiro maçom a ser iniciado ritualisticamente em nossa Loja. Começou a vida em Mar de Espanha, foi professor de alemão no Externato do Ginásio Mineiro de Ouro Preto, donde se transferiu para o Ginásio Mineiro de Barbacena, em 22 de novembro de 1895. 

Gordo, baixinho e muito vermelho era, segundo seus biógrafos, muito querido na cidade por ser caridoso. Consta, que o irmão Adolfo Carlos Frederico Remmers, Dr. Em filosofia pela Universidade de Heinderberg, também estrangeiro, natural de Hanover, Alemanha, iniciado em 07/01/1897, era celibatário e amigo do Barão Krauss. Juntos fizeram o nome e glória do Ginásio Mineiro. Residiam em Barbacena, na Rua de Baixo, leia-se, hoje, Rua Sete de Setembro. Segundo consta um deles, já bem idosos, numa pequena carroça, tipo carruagem, deixava a cidade para ir à colônia Rodrigo Silva levar ajuda e amparo para os imigrantes italianos lá aportados. 

O Dr. José Bonifácio de Andrada e Silva, advogado, Deputado Federal e Embaixador na Argentina, Portugal e na Santa Sé, foi iniciado em nossa Loja e eleito Venerável em 1896, não chegando a tomar posse. 

Dentre centenas de outros cidadãos, civis e militares, iniciados em nossa Loja merece destaque a figura do Dr. Francisco Mendes Pimentel, que dá nome a Fórum da Comarca de Barbacena. Carioca de nascimento formou-se em Direito em São Paulo. Em Barbacena casou-se e foi jornalista e fundador de “A Folha”, de propriedade do maçom Arthur Joviano. Comandou em Barbacena a “Centúria Republicana”. Além de professor da Escola Normal, foi nomeado por título como professor de História geral do Ginásio Mineiro.

Foi Deputado Federal, deixando o cargo e indo residir em Belo Horizonte, onde fez carreira como um jurista. Professor da Faculdade de Direito de Belo Horizonte, Reitor da Universidade de Minas Gerais, Fundador da Revista Forense, Fundador e 1º Secretário do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Eleito e reeleito por muitos mandatos para o Tribunal de Ética Profissional da Ordem dos Advogados do Brasil. Este maçom fez parte da comissão que elaborou os Estatutos de nossa Loja. “Nosso primeiro historiador, Dr. Paulo Garcia, informa que “Sobre esse maçom disse Augusto de Lima:” O nome Mendes Pimentel é um programa, um símbolo, uma glória nacional.”

Os pioneiros enfrentaram muitas dificuldades. Até mesmo o fundador da Loja, Coronel da Guarda Nacional, monarquista e conservador, não escapou da repreensão de seus pares. Sendo vereador, ele entendeu de propor uma matéria contrária ao desenvolvimento da educação do povo, pretendendo aumentar a taxa de matricula da Escola Normal.

Alfredo Renault protestou e chamou de atentado contra a propagação das luzes tão aviltante proposta. Lamentou ter a infeliz ideia partido de um maçom que deveria lutar contra o obscurantismo. A matéria foi retirada da pauta.   

Finda a primeira guerra mundial, a Gripe espanhola chegou a Barbacena, ceifando vidas. A casa mãe da caridade, a maçonaria dos famintos e miseráveis, teve papel decisivo com a seguinte estatística: socorreu 1.019 famílias. Numa farmácia improvisada na loja, 217 receitas médicas foram aviadas e farta quantia em dinheiro gasta pelos irmãos com fornecimento de alimentos, medicamentos e transporte. O Grande Oriente do Brasil, por reconhecimento, outorgou à Regeneração Barbacenense o Título “Loja Augusta e Benemérita.”.         

Vencidos os primeiros anos do século, o Colégio Militar foi instalado em Barbacena, cumprindo termos do Decreto número 9.507, de três de abril de 1912, assinado pelo então Presidente da República, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca e pelo Ministro da Guerra, General Vespasiano de Albuquerque. Quase todos os professores, instrutores e serviçais eram maçons.

O farmacêutico barbacenense, intelectual e escritor, Zenon Caldas Renault, avô de nosso irmão José Léo Renault Grossi, em seu livro “COLÉGIO SENTIDO”, não publicado, sendo o aluno 128 do Colégio Militar de Barbacena, registrou o seguinte: 

“Os paisanos achavam pitorescos aqueles oficiais de uniformes vistosos, de gola alta, os botões rebrilhantes, o boné redondo achatado e cheio de desenhos dourados; alguns com sotaque estranho, costumes diferentes, quase estrangeiros nessas montanhas silenciosas; quase todos usando bigodes, grandes bigodes uns; pequenos outros, à Kaiser um deles, grisalhos os do Comandante Tenente-Coronel Afonso Fernandes Monteiro. Em pouco, no entanto, foram eles se entrosando com a sociedade do lugar, fazendo-se queridos, necessários mesmo. Participavam das festas locais, frequentavam o cinema, “FAZIAM PARTE DA MAÇONARIA.”

Neste período, o efetivo da Polícia na cidade era representado pelo 3º Batalhão da Brigada Policial de Minas. Muitos Alferes-quartel-mestre foram iniciados e fizeram parte de nossa Loja. 

Com a presença de autoridades civis, militares e de 21 irmãos, no sete de setembro de 1922, centenário da Independência, o Venerável Mestre, Major Pedro Mariani Serra, lançou a pedra fundamental do Prédio atual da Loja na Avenida Bias Fortes, onde nos encontramos agora, inaugurado oficialmente em 21 de abril de 1924. 

Vivendo aqueles dias de 1922, o aluno 128, Zenon, do CM, registrou para o que viu e sentiu:

“O Comandante-aluno deu a voz de marcha e lá foi descendo o batalhão, aliás, duas companhias, a rampa do Colégio, ganhando a rua de acesso à cidade. Os dólmãs muito limpos, muito escovados, de cor marrom escura, a gola fechada onde se viam dois castelos prateados, um de cada lada, distintivos do educandário, os sete botões dourados fechando-o à frente; as calças garance, de um vermelho vivo, ladeadas de friso da cor do dólmã. Botinas pretas, polainas e luvas brancas. O boné, tipo francês, copa vermelha, com alamares, lados marrons, uma borla branca a encimá-lo.” 

Sim, meus irmãos, Oficias professores e serventuários do Colégio Militar de Barbacena eram maçons, republicanos e positivistas educados por Benjamim Constant e Floriano Peixoto no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Consultando as atas de nossa Loja foram confirmados os seguintes nomes, citados nas páginas do livro escrito pelo avô de nosso irmão José Leo: 

Major Francisco D'Ávila Garcêz – Professor e Venerável Mestre em 1923, cidadão que se tornou conceituadíssimo na sociedade barbacenense, caridoso ao extremo e espírita convicto, escreveu livro sobre o assunto em parceria com o maçom Vitalino Meniconi”. Era frequentador assíduo da Confeitaria do Velho Pires / Confeitaria a Brasileira. 

Major Antônio Francisco Monteiro (O Monteirinho), Vicente de Paula Formiga, Alopércio de Almeida Daemon, Dr. Júlio Goulart Bueno, Dentista, Major Alberto Leyrand, Professor de física, Major Clarindo Mey, professor de Física, Ticiano Corrégio Daemon – Comandante do Colégio Militar e, em 1927, General do Exército Brasileiro e membro do Supremo Conselho do Grau 33, na cúpula do Grande Oriente do Brasil, Rio de Janeiro. 

 

Além desses, nossas atas registram como irmãos e membros do Colégio Militar: Alberto Leyraud, Américo dos Santos Carvalho, Américo Valério Campello, Aristóteles Maximiano Estanislau, Dr. Arsênio de Arvellos Espínola – médico, Arhur Paulino de Souza, Engenheiro militar  e autor da planta do atual prédio de nossa Loja, Antônio Fernandes Monteiro, Eduardo Cavalcanti de Albuquerque Sá, Jayme Ormindo de Carvalho, João da Rocha Maia, João da Silva Leal, José Vicente Dias dos Santos, Leopoldo Frederico Teixeira Campos, Luis Guilherme de Figueiredo (funcionário CM), Luis Tavares Guerreiro (oficial), Manoel Antunes da Costa Guimarães Júnior, Marçal Carlos da Silva, Oscar Andrade (funcionário), Octávio Garcia Barão (oficial), Raul Eugênio dos Santos Lima, Raymundo Fernandes Monteiro, Ricardo Job (funcionário), Rosemiro de Freitas Marinho, Sebastião de Azambuja Brandão, Sebastião das Chagas Leite. 

Dentre esses militares não pode ficar esquecido o nome do Major Astórico de Queiroz com uma ficha e histórico de grandes feitos pela Loja Regeneração Barbacenense e pelo Grande Oriente do Brasil. Ele foi  Delegado do Grande Oriente do Brasil para a 2ª Região, com sede em Barbacena. Viajou a Londres em 1927 como enviado especial do Grão-Mestre do GOB para importante conferência. Foi Venerável de nossa Loja em 1928 e, ao lado de outro militar, Alfredo Filipine Doux lideraram a maçonaria em Barbacena. Astórico de Queiróz foi um dos fundadores do Olympic Clube, de Barbacena. 

Mereceu especial atenção desse irmão que vos fala o discurso proferido pelo irmão Orador, Plínio Gomes, na sessão de nossa loja na data de 15 de fevereiro de 1925. Os termos desse discurso prova que os militares daquele Colégio vieram para Barbacena como maçons para reforçar o sentimento republicano e o pensamento livre. O culto orador, irmão Plínio, lançou em Loja seu brado de repúdio pelo fechamento do Colégio Militar em Barbacena, assim dizendo: 

“... Venho render o meu preito de justa homenagem a esses denodados irmãos que __ nesta hora em que mais necessitamos deles __ são violentamente arrancados dessas plagas e, particularmente, deste templo já tão habituado a ser iluminado com as luzes de suas inteligências.

O ato, meus irmãos, que veio abalar a família maçônica barbacenense, é inqualificável!

Não quero com isso significar que o fechamento do Colégio Militar desta cidade, tenha sido decretado com o fim único e exclusivo de golpear nossa Aug. Oficina, porém, o governo central da República sabe perfeitamente, por intermédio de seus sequazes, que naquele estabelecimento de ensino superior estava reunido um punhado de homens livres, manietados pelos tentáculos peçonhentos do clero malsinado, e que eram maçons! O governo da República sabe que a mocidade educada por esses homens, formará a humanidade de amanhã, livre, independente e nobre, capaz de espezinhar os repteis que desgraçam a nossa Pátria.

Irmãos! Há muito que o clarim maçônico se faz ouvir tocando “reunir”, há muito que sabemos, vemos e sentimos o governo falso e incapaz, desgraçando a nossa querida Pátria. Há muito que o polvo negro despontou e, chafurdando nas sombras lodosas do suborno, da mentira, da calúnia e da hipocrisia vem maquinando a nossa destruição.

Não é de hoje que Irmãos nossos, às centenas, sofrem as maiores desonras, as mais torpes infâmias e humilhantes opróbrios pelos grandes, pelo inqualificável crime de serem livres maçons!

Irmãos! Os estilhaços das granadas de nossos inimigos acabam de nos ferir! É sinal de “alerta” que não veio fora de tempo bater à nossa porta! À postos, pois! Sejamos verdadeiros maçons!”

Quase esvaziada pelos irmãos que deixaram o Colégio Militar e Barbacena, coube ao irmão Laurindo Claro Boa Morte fazer renascer das cinzas nossa Fênix que quiseram adormecer. E que trabalhão ele teve nos anos vinte do século passado! E que grande homem e maçom ele foi!

Só quem leu as atas da Loja daqueles difíceis tempos pode avaliar quem ele foi e que legado deixou ao lado de outros bravos irmãos barbacenenses, seus contemporâneos. Sinta a família Boa Morte, hoje representada pelo nosso Delegado Litúrgico e Venerável Roberto Luiz Claro Boa Morte e seu filho Boa Morte Jr, orgulhosa e homenageada. 

De 1925 a 2020, resta a este orador pedir vênia para o resumo, clamando aos irmãos a leitura do livro recém-editado com o histórico desse período. De bom alvitre, dizer que, na Câmara Municipal de Barbacena, inúmeros maçons se revelaram a serviço da comunidade, e hoje, nosso irmão Luis Gonzaga, (o Gonzagão), segue a trilha deixada por Amarílio Augusto de Paula, Paulo da Silva Fortes e Fernando Maluf Wutke. Muitos Prefeitos da cidade foram maçons. Em nossas Universidades, professores, médicos, advogados, administradores, historiadores e outros profissionais de relevo formaram-se e foram formadores de opinião, agindo como homens justos e perfeitos, livres e de bons costumes.

Dois Grão-Mestres honraram as tradições da maçonaria de Barbacena, um conduzindo o Grande Oriente do Brasil; outro, o Grande Oriente de Minas Gerais- COMAB. Deputados ilustres dignificaram a representatividade da Loja e muitos irmãos do nosso quadro foram Delegados do Grão-Mestre, representantes e membros do Supremo Conselho do Grau 33 para a República Federativa do Brasil. 

Hoje a Regeneração Barbacenense congrega a Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul e apoia a Fundação Carlos Mário Lacerda da Cruz Machado, em lembrança perene a tão importante cidadão e maçom. 

Integrada a outras cinco Lojas na Cidade das Rosas e terra dos governadores, nossa centenária oficina prioriza os ideais democráticos, visando ao progresso de Barbacena, de Minas e do Brasil. 

Nossa Loja nunca se ajoelhou ante a prepotência, nunca se quedou ao arbítrio. 

Sempre foi e será triunfante. 

Faz 125 anos que a maçonaria brilha nesta terra!

Barbacena, 14 de junho de 2020.

GERALDO RIBEIRO DA FONSECA M.I- 33


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