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20/01/2019

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Pesquisadores da Epamig buscam novas tecnologias para produção de flores comestíveis


Em atendimento à necessidade de gerar informações técnicas sobre o cultivo destas flores, especialistas testam sua aplicação em sistemas agroecológicos. Saiba mais...

001 Flores Comestiveis

0001 Legenda Fernando Almeida aposta em produtos diferenciados para o comércio mineiro

O cultivo de flores, atividade tradicional na região do Campo das Vertentes, tem papel de peso como atividade econômica para Minas Gerais. Nesse cenário, há cerca de dez anos, as pesquisas da Epamig e parceiros buscam técnicas inovadoras de produção, como o controle biológico de pragas e o estabelecimento das condições para o cultivo das flores comestíveis que, embaladas pela tradição gastronômica, despontam na região.

Nos restaurantes das cidades históricas da região da Estrada Real, ingredientes diferenciados são muito utilizados na confecção de pratos, e dentre esses estão às flores. Em atendimento à necessidade de gerar informações técnicas sobre o cultivo destas flores, pesquisadores da Epamig dedicam-se ao estudo da produção em sistemas agroecológicos.

Os experimentos ainda estão em andamento, mas as primeiras observações com capuchinhas, amor-perfeito e calêndulas já permitem dizer que é possível a produção dessas flores nas condições edafoclimáticas das Vertentes. Além disso, também indica que, para alguns tipos de flores mais delicadas, devem ser adotadas estratégias como o cultivo protegido para preservar as flores de intempéries climáticas.

Na zona rural de São João del-Rei, a produtora de flores Maura Taroco tem acompanhado os experimentos conduzidos na Epamig e vê, nas flores comestíveis, uma forma de diversificar sua produção.

“Já atendíamos o mercado com flores ornamentais. Com a introdução das comestíveis conseguimos agregar valor ao nosso trabalho e, agora, ofertamos mais esse produto. Durante as visitas guiadas, oferecemos as flores para degustação”, conta ela. Na propriedade familiar de quatro hectares, dois são dedicados à produção de flores.

Dentre as espécies comestíveis que a família produz, estão capuchinha, amor perfeito, nirá, jambú, calêndula e mini-rosas. A equipe da Epamig faz visitas à propriedade para troca de informações e experiências. “Este trabalho nos dá uma ideia da aceitação e também do desenvolvimento da cultura”, atesta a pesquisadora Izabel Cristina dos Santos.

Produção integrada

Com foco nas flores de corte, as pesquisas concentram-se nas técnicas da produção integrada, com estudos que buscam a diminuição do uso de agrotóxicos no cultivo.

"As flores são valorizadas pelo aspecto visual, e o agricultor tem se empenhado bastante em obter produtos de qualidade. Entretanto, assim como ocorre na produção de alimentos, o uso excessivo de produtos químicos pode causar efeitos negativos ao ambiente, aos trabalhadores e aos consumidores. Com os estudos conseguimos verificar que é possível conduzir um roseiral de forma sustentável", explica a pesquisadora Lívia Carvalho.

A pesquisadora, Simone Reis, acompanha, há mais de dez anos, os avanços da floricultura em Minas Gerais e atesta que, além de gerar emprego e renda, a floricultura é fator de diversificação da atividade agrícola e de enorme relevância para a agricultura familiar. “Somos sempre procurados por produtores que querem ingressar na atividade e alguns deles já estão produzindo”, conta.

Sobre o mercado de flores comestíveis

Há 20 anos, praticamente ninguém comia flores no brasil. a não ser brócolis, alcachofra ou couve-flor, espécies cultivadas e consumidas como verduras - na verdade, são inflorescências ou pedúnculos florais, mais próximas, portanto, do capítulo botânico das floricultura, não das hortaliças. Então, na esteira do sucesso de mercado das ervas frescas, também recente, as flores comestíveis começaram a atrair a atenção de gourmets e chefs de restaurantes sofisticados, interessados na beleza de suas pétalas ou nos sabores sutis, ou incomuns, para compor saladas, pratos quentes, molhos, temperos ou essências para sopas, caldos, etc. Hoje, constituem mercado ainda restrito, mas crescente.

ao preço médio de 5 reais, de capuchinha, amor-perfeito e hibisco. 'É uma linha requintada. Cuidamos desse abastecimento de forma regular nos últimos três anos', comenta Renato Generoso, gerente de FLV (Frutas, Legumes e Verduras) da rede de supermercados. Antes, a procura era pequena, quase nula, segundo ele. Agora, atendendo ao aumento da demanda, as flores comestíveis estão em oferta constante nos balcões de legumes e verduras - sim, FLV, como o cargo de Renato indica. Elas não constituem ramo da floricultura. São alimentos. E nessa condição dividem prateleiras com outras hortaliças em supermercados e lojas especializadas. Como o Empório Santa Luzia, loja sofisticada da capital paulista. Segundo o gerente Geraldo Lima, 300 bandejas mensais têm saída garantida no Santa Luzia. Nesse caso, a preferida é a calêndula, cujo sabor lembra muito o gosto do legítimo açafrão, que custa mais de 50 reais o grama. Geraldo tem ciência de que as flores comestíveis têm vida útil curtíssima - duram no máximo três dias se embaladas e refrigeradas. Ele sabe que o cultivo exige muita atenção e cuidados, que o calor e as chuvas de verão castigam os canteiros, mas acredita que o produtor está marcando touca. 'O consumidor compraria mais se houvesse mais oferta', pensa.

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Amor-perfeito (à dir.) e capuchinha são as mais requisitadas pelo colorido das pétalas
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Flor de manjericão, para sabor mais acentuado no prato (à esq.), e estrelinha, novidade na culinária

CANTEIROS EM EXPANSÃO - Comparar os mercados de flores comestíveis e flores em geral (usadas apenas com função decorativa) é equívoco na certa, comenta Hélio Junqueira, da consultoria Hórtica, de São Paulo. O primeiro é muito pequeno - não há dados concretos a respeito. O segundo movimentou 3,3 bilhões de reais no mercado interno no ano passado, com chances de crescer 15% até o final deste ano. Em 2008, o Brasil faturou 35,5 milhões de dólares com vendas de flores para Europa e Estados Unidos. Segundo pesquisa da Hórtica, o mercado interno de flores convencionais cresce em torno de 10% por ano porque o Brasil não foi tão afetado pela crise financeira quanto os países para onde exporta, a exemplo de EUA, Europa e Japão. As principais flores de corte negociadas por aqui são rosas, crisântemos, lisianthus, lírios, etc., e as envasadas são orquídeas, violetas, azaleias, bromélias, entre outras. Os estados de São Paulo (53%), Minas Gerais (13%) e Rio Grande do Sul (5%) lideram a produção nacional. De acordo com a economista Marcia Peetz, sócia da Hórtica, o futuro dos cultivos nacionais tendem a ser focados quase que exclusivamente nas vendas internas. 'Com o alarde da crise, as pessoas deixaram de consumir bens e serviços de valores elevados e gastaram mais com paisagismo e jardinagem', compara. Marcia reitera que o consumo per capita brasileiro (R$ 17,46) ainda é baixo. 'Ele denota uma alta capacidade de crescimento futuro', acredita. Segundo ela, a prova está na expansão de outras regiões de cultivo, como Nordeste e Norte do país, sinalizando a descentralização da produção exercida pelo estado de São Paulo, concentrada nos municípios de Holambra, Campinas e Atibaia.

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Fernando Almeida aposta em produtos diferenciados para o comércio mineiro

Minas Gerais já ocupa a segunda posição no ranking brasileiro das flores comestíveis, atrás apenas de São Paulo. Segundo dados da Superintendência de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar, pelo menos 500 produtores do estado se dedicam ao cultivo de espécies diversas. Entre eles, Fernando Almeida, produtor de hortaliças hidropônicas em Itabirito, a 50 quilômetros de Belo Horizonte. Fernando cultiva 30 variedades de plantas comestíveis, entregues para uma rede de restaurantes e supermercados da capital mineira. Ele já plantou feijão e milho, no sul de Minas, mas desistiu da agricultura convencional quando uma tempestade tombou o milharal.

DELICADA PRESENÇA 
As flores comestíveis não têm sabor parecido e algumas se transformam em bons temperos. Suas pétalas ou pequenos buquês emprestam um perfume sutil aos pratos

Flores 09AMOR-PERFEITO | Faz parte da família das violetas e seu uso é indicado na forma de xaropes para doces e licores. Suas pétalas mergulhadas em vinagre de vinho branco, com um mês de descanso, vira tempero

 

Flores 10BORAGO | O azul arroxeado da flor é procurado para a finalização de receitas. Mas suas pétalas, que ficam cor-de-rosa com o passar do tempo, podem ser usadas no preparo de bebidas, sopas e molhos

 

Flores 11CALÊNDULA | É parecida com a margarida e conhecida por seu uso em cosméticos e pomadas. Na cozinha, pode substituir o legítimo açafrão desde que usada em grandes quantidades. Combina com sopas e peixes

 

Flores 12CAPUCHINHA | Suas tonalidades variam do amarelo ao vermelho e o sabor é apimentado. Lembra um pouco o agrião ou a mostarda, e por isso é muito usada em saladas. Ela acompanha bem carnes e massas

 

Flores 13ROSA | As mais usadas são as minirrosas para decoração. Nas receitas, são usados o óleo essencial da flor, o xarope ou a água aromatizada, que estão presentes em vários doces da cozinha árabe

 


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