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Mestre de capoeira barbacenense busca resgate da capoeira primitiva

Defensor e grande incentivador das tradições e do estilo de Capoeira Angola, modalidade sistematizada no início dos anos 80 por baiano Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, Gustavo busca resgatar os princípios da arte, que foi criada e era utilizada como arma de defesa pelos africanos escravizados no período colonial brasileiro. Leia mais...

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Mestre de capoeira barbacenense busca resgate da capoeira primitiva

Aos 67 anos de idade e cheio de vitalidade e planos, o mestre de Capoeira barbacenense, Gustavo Romualdo da Silva Filho, ou, mestre Gustavo, como é reconhecido pelas centenas de alunos e capoeiristas que formou e conviveu ao longo de mais de cinco décadas de prática da arte genuinamente brasileira busca o resgate das raízes da Capoeira que foi criada pelos africanos escravizados no Brasil.

Defensor e grande incentivador das tradições e do estilo de Capoeira Angola, modalidade sistematizada no início dos anos 80 por baiano Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, Gustavo busca resgatar os princípios da arte, que foi criada e era utilizada como arma de defesa pelos africanos escravizados no período colonial brasileiro. Ele explica que, diferentemente dos estilos que foram desenvolvidos pelos mestres, Pastinha e pelo também soteropolitano, Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de Capoeira Regional, os criadores da Capoeira não seguiam regras nem normas.

Gustavo avalia que os estilos que foram sistematizados pelos respeitados mestres baianos apresentam grande evolução técnica, mas acabam limitando a criatividade dos capoeiristas, que precisam se concentrar em movimentos pré-determinados, “o negócio da Capoeira é a sobrevivência, na Capoeira antiga o capoeirista tinha que se virar e criar, busco resgatar essa liberdade que os capoeiristas tinham. O capoeirista precisa ter liberdade para usar a criatividade para se defender e atacar”, afirmou.

“Os mestres antigos falavam que para entender a Capoeira a pessoa leva mais de 50 anos de prática e é isso mesmo, só agora que estou começando a entender a Capoeira, aumentando a minha percepção, através de treinamento e meditação”, diz o mestre que busca as raízes da arte que é destaque na cultura brasileira.

Referência no estilo Angola, Gustavo promove o resgate das raízes da Capoeira realizando treinamentos com total liberdade de criação sem se esquecer da música que, segundo ele, é um componente fundamental da capoeira, que foi introduzida como forma de ludibriar os escravizadores, fazendo-os acreditar que os escravos estavam dançando e cantando, quando na verdade também estavam treinando golpes para se defenderem. Ele explica que a música determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado durante a roda de capoeira. As canções de capoeira têm assuntos dos mais variados.

Algumas canções são sobre histórias de capoeiristas famosos, outras podem falar do cotidiano de uma lavadeira. Algumas canções são sobre o que está acontecendo na roda de capoeira, outras sobre a vida ou um amor perdido, e outras ainda são alegres e falam de coisas tolas, cantadas apenas para se divertir. Os capoeiristas mudam o estilo das canções frequentemente de acordo com o ritmo do berimbau. Desta maneira, é na verdade a música que comanda a capoeira, e não só no ritmo, mas também no conteúdo.

O principal instrumento é o berimbau, os outros instrumentos são, pandeiro, atabaque, reco-reco e o agogô. Os interessados em conhecer e praticar a Capoeira com mestre Gustavo podem entrar em contato através dos telefones (32) 3331-3154 / 98458-1833, ou diretamente na academia situada à Rua Vila Nova, nº 529, bairro Nossa Senhora Aparecida. Confira o vídeo da matéria no Canal Diego Cobucci no You Tube.

 

CAPOEIRA E ESTUDO PARA SUPERAR DESAFIOS

 

Nascido em Barbacena, Gustavo Romualdo da Silva Filho, filho do militar Gustavo Romualdo da Silva e da dona de casa, Judith da Silva, Gustavo Romualdo da Silva Filho, conheceu a Capoeira quando ainda era criança e se admirava com a perícia e agilidade do soldado Rui Baiano, um amigo de farda de seu pai, que era respeitado na cidade pelas lutas e prisões que efetuava e através de programas de televisão como ‘Amaral Neto Repórter’ que apresentava reportagens sobre a arte.

O percursor da Capoeira em Barbacena conta que sempre contou com o apoio e aprovação dos pais e que teve uma infância tranquila, “rodava nos matos na região do bairro Nossa Senhora Aparecida e comecei a treinar golpes de Capoeira com meu amigo Tuim”. Eles começaram a treinar todos os dias em um campinho no bairro Nossa Senhora Aparecida. Com o passar do tempo foram surgindo outras pessoas que também já praticavam Capoeira.

Com os amigos Tuim, Paulo Otávio, Jorge Cabeludo, Jorge Ventania, Donizeti, entre outros, formou um grupo da Capoeira que foi destaque em desfiles de carnavais nos anos setenta. Na década de noventa, Gustavo criou o primeiro grupo de Capoeira de Barbacena, a Associação de Capoeira União das Raças, responsável pela formação de mais de 2.000 capoeiristas.

Com apenas 15 anos, Gustavo ficou órfão de pai e teve que abandonar os estudos. Para ajudar em casa, trabalhou na roça e como servente de pedreiro. Aos 18 anos, quando serviu ao exército no 11º RI em São João del Rei, teve contato com capoeiristas de toda a região.

Após o serviço militar obrigatório, voltou para Barbacena e continuou trabalhando em serviços gerais até os 22 anos de idade, quando foi para São Paulo trabalhar no metrô, “lá entrei em contato com capoeiristas baianos e então comecei a me aperfeiçoar”, destacou. Gustavo não se adaptou ao estilo de vida da capital paulista.

Entre idas e vindas, aos 25 anos de idade voltou para Barbacena. Consciente da necessidade de concluir os estudos fez supletivo e concluiu o antigo ginásio e o 2º grau. Sentindo a necessidade de se filiar a uma entidade oficial da Capoeira, no ano de 1996, Gustavo procurou o amigo que conheceu ainda nos tempos do exército, Amadeus Martins, o mestre Dunga na Academia Cordão de Ouro “Eu Bahia” em Belo Horizonte. Sem abandonar seu estilo ‘angoleiro’, Gustavo conquistou a graduação de mestre no mesmo ano. Com o certificado na mão e em parceria com o mestre Dinho criou a primeira academia dedicada à Capoeira de Barbacena.

 

O esforço nos estudos deram resultados. No ano de 1.977, Gustavo foi aprovado em um concurso da FHEMIG e ingressou na instituição onde se aposentou como Técnico de Enfermagem. Apaixonado pelos estudos e dono de um acervo de mais de 2.000 livros de temas variados, no ano de 2.002, passou no vestibular de Direito da Faculdade Aprendiz. Atualmente aposentado, o bacharel em Direito, segue treinando e pesquisando sobre a Capoeira com o objetivo de concluir a formatar o estilo de Capoeira Primitiva.


 

Agência Expresso

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