O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena completa 117 anos.

Jornal Expresso - O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, completa 117 anos. Esta Instituição secular na idade que já foi palco de denúncias de maus tratos aos pacientes deste hospital, passou por grandes transformações e hoje se destaca quanto aos serviços prestados ao portador de transtorno mental.

A cidade de Barbacena, sempre foi terra de políticos importantes, berço da Inconfidência Mineira, exerceu papel primordial no dia do FICO, onde os mineiros apoiaram o Príncipe Regente, D. Pedro I. Participou da Revolução Liberal e muitos de seus filhos participaram da Força Expedicionária Brasileira que lutou na Itália. 

Para agradar a cidade por não ter sido escolhida como capital mineira, pensando em compensá-la, foi criado então, o Centro para Tratamento aos doentes mentais, os alienados, pois a cidade possuía um clima ameno, e devido ao clima, acreditavam que era propício para a cura  estes doentes.

Primeiramente, foi feito o Sanatório de Barbacena, que era um hotel de veraneio e casa para doenças nervosas, cercada de requinte e comodidade e também com parada para trem da estrada de ferro D. Pedro II . Com a falência deste Sanatório o governo mineiro comprou este espaço e em 1903 por influência do Dr . Joaquim Dutra, foi instalada ali a Assistência aos alienados. A partir daí Barbacena começou a sediar o atendimento psiquiátrico em Minas Gerais e posteriormente, receber pacientes de outras regiões do país.

O hospital se expandiu, o número de leitos aumentou, e com a evolução da psiquiatria, concluíram que a terapia através do trabalho, era benéfica para o tratamento. Então, foram criadas colônias agrícolas, olaria, trabalhos de limpeza de pastos, conserto de estradas, plantação de milho, batata doce, mandioca, feijão, entre outros itens.

As internações tornaram se crescentes e foi necessário construção de vários pavilhões, com essa realidade, Barbacena adquire o estigma de cidade de loucos.

A população interna chega a 3.500 pacientes, viviam em condições precárias e já haviam denúncias na imprensa das más condições de vida dentro do hospital. Sua estrutura era violenta e com índice alto de mortalidade, tinha até convênio com a faculdade para fornecimento de cadáver.

Em 1979 o repórter Hiram Firmino, faz uma série de reportagens na mídia, de alcance nacional e a nação passa conhecer a realidade das pessoas portadores de doença mental dentro da instituição, o que era privado torna se público . Houve uma comoção , indignação por saber que

pessoas viviam em ambientes tão desumano.

A partir daí, a situação do doente mental começou a mudar...O deputado federal Paulo Delgado, faz um projeto de lei n°.3657 onde prevê a extinção gradativa dos manicômios e a substituição por novas formas de tratamento.

Em 1995 o projeto de lei 11.802, propõe a reintegração social do portador de doença mental e determina a progressiva extinção dos hospitalocêntricos e substituição por outros modelos de atendimentos, determina implantação de ações e serviços de saúde. Regulamenta as internações, especialmente, as involuntárias e dá outras providências.

Atualmente, O CHPB conta com 108 moradores de longa permanência, e muitos dos pacientes que moravam no no hospital, hoje residem em residências terapêuticas, tendo uma vida livre, cidadão com todos os seus direitos e deveres resguardados. Foram respeitados e preservados a vontade dos internos, quanto a querer morar fora da instituição ou não.

Vale ressaltar, que dentro do hospital muitos dos pacientes já estavam sendo preparados para o resgate de sua cidadania e liberdade que todo ser humano merece ter.

Hoje o Museu da Loucura existe e conta toda esta história para que não esqueçamos do sofrimento vivido, mas que felizmente, pertence ao Museu! E lá deve ficar.

 


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