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18/11/2019

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O final de semana foi marcado dentre os corredores de rua pela prova de aniversário do 2º aniversário do Corridão, portal de esportes que está presente e organiza eventos esportivos além de atuar fortemente na parceria pelo sucesso do esporte na cidade e região.Aperte o play e confira a reportagem exclusiva de Diego Cobucci.

Dimas Soares Ferreira  traça alguns roteiros na região de Barbacena para os amantes do mountain bike.


 

TRILHAS E AVENTURAS NAS VERTENTES

Dimas E. Soares Ferreira

Barbacena é uma cidade privilegiada pela sua localização, pelo seu clima temperado e pela natureza que abunda ao seu redor. Encravada no topo dos contrafortes mineiros da Serra da Mantiqueira, a cidade nasceu do entroncamento dos caminhos abertos pelos bandeirantes entre o final do século XVII e o início do século XVIII, ainda como Arraial da Borda do Campo.

À sua volta existe uma infinidade de pequenas serras, morros e vales recheados de matas, campos, rios, cachoeiras e centenas de fazendas históricas. E entre esse conjunto de atrativos passam milhares de caminhos, estradas e trilhas integrando a natureza à história, criando um gigantesco potencial para o ecoturismo, o turismo rural e a prática de esportes de aventuras, como trekking, mountain bike e escaladas.

Seria impossível descrever, de maneira pormenorizada, todas as possibilidades de trilhas e aventuras existentes na região, tendo Barbacena como ponto de partida. Mas, é possível citar alguns atrativos e roteiros num raio de 50 quilômetros em torno da cidade que valeriam a pena serem conhecidos.

 

Fazenda Do Criminoso
Fazenda do Criminoso

 Comecemos então pelas trilhas que levam aos paredões da Mantiqueira no sentido de Antônio Carlos. Do seu distrito de Sá Fortes tem-se acesso à Estrada Real e à velha Estrada União-Indústria passando pelas Fazendas Campo Verde e da Serra até se alcançar os chafarizes já na descida para a comunidade das Perobas. Partindo de Antônio Carlos existem três outros circuitos de aventuras. O primeiro deles segue em direção à histórica Fazenda da Borda do Campo, passando pelas Fazendas do Belém conectando-se à Estrada Real por estrada ou trilhas. O segundo segue em direção às comunidades dos Araújos e Barro Branco até se chegar às ruínas da Estação de João Ayres passando pelas Fazendas do Quilombo, Quilombinho, João Ayres e das Gerais (com sua linda cachoeira por onde passa o rio Pinho). Dali tem-se acesso à famosa Trilha do Retireiro que leva à Fazenda Cabangú e às inúmeras outras fazendas naquele vale, como as Fazendas de Ayres Gomes (Engenho e Mantiqueira). E, por fim, o circuito das trilhas que partem em direção ao distrito de Curral Novo, podendo se chegar à Fazenda Cachoeira e à Cachoeira do Fagundes, bem como às trilhas do Picumã, que levam às nascentes do rio Paraibuna com fazendas magníficas ao seu redor, como a Caminho Novo, do Barro, Jacutinga, Criminoso e Passa Três.

Fazenda Do ContraMestre Fazenda do Contra-Mestre

Outro circuito de aventuras e trilhas é o que segue na direção das Serras de Santa Bárbara, do Melo e da Trapizonga. Entre os contrafortes destas três serras existem dezenas de vales recheados de atrativos naturais, como rios, nascentes e cachoeiras e muitas fazendas antigas. A Serra de Santa Bárbara é considerada a “meca” do mountain bike pela variedade de trilhas e pelo elevado nível das mesmas. São trilhas que descem seus paredões em direção aos vales do Tinguá, Ramalho, Buracão, Castelo, Fim do Mundo e Antena-Paredão. O Tinguá é conhecido como o Vale das Cachoeiras Perdidas, tamanha a dificuldade de acessá-lo. Mas, as mais belas e impressionantes cachoeiras ficam no Vale do Ramalho: Barro Preto, Sumidouro e Ramalho. Esta última com quase 100 metros de queda, é considerada uma das mais altas de Minas Gerais. Já a Trilha do Castelo, que dá acesso à cachoeira do mesmo nome, passa por caminhos e cavas abertas por tropeiros há quase três séculos. O Vale do Buracão, com seus paredões e fazendas, conecta as Serras de Santa Bárbara e do Melo passando muito próximo das famosas Pedras do Índio e do Macaco chegando-se ao distrito de Senhora das Dores, bem como à cidade de Desterro do Melo ou até mesmo retornando à Santa Bárbara do Tugúrio pela Trilha da Pururuca.

Há também a incrível Trilha do Fim do Mundo que desce os paredões da Serra de Santa Bárbara a partir da comunidade do Campestre II, até o Vale do Japão, de onde se tem acesso a Oliveira Fortes, Paiva ou Santa Bárbara. Todos os caminhos e trilhas deste circuito são pesados e exigem muito preparo físico e psicológico para serem superados, seja a pé ou de bike. A Trilha da Antena-Paredão conecta a região próxima às comunidades dos Costas e da Vargem dos Coxos ao fundo do Vale do Rio Pomba onde está a cidade de Santa Bárbara do Tugúrio. Nesta região é possível se deparar com fazendas antiquíssimas como a das Abóboras, Raposa, Buracão e do Padre, além das nascentes dos rios das Mortes, Pomba, Xopotó e Piranga. Estes dois últimos correm entre as Serras do Melo e da Trapizonga, onde existem fazendas importantes, como a do Japão e da Vargem do Amargoso, além da famosa Pedra Menina. Também nesta região está a Árvore Gigante, bem no fundo do Vale do Xopotó, próximo à Fazenda Conceição. Uma figueira com mais de 500 anos isolada no meio do bananal e que impressiona pelas suas dimensões. Para se chegar a estes lugares é preciso passar por comunidades isoladas no meio destas serras (Gonzaga, Peixoto, Japão, Pouso Alegre, Carranca, Potreiro, Simão Tamm, Morro Queimado, entre outras).

Fazenda Do Barro

Fazenda do Barro

 

Finalmente, o circuito do Vale do Rio Ressaquinha. Neste imenso vale que separa Barbacena, Barroso, Ressaquinha, Alfredo Vasconcelos e Dores de Campos, a história da colonização das Vertentes permanece adormecida e esquecida. Fazendas tricentenárias como do Contra-Mestre, Jacó, Paraíso, Água Limpa e do Bandeira ainda permanecem lá para marcar um tempo de ocupações de terras, de luta contra indígenas, de revoltas de escravos e de inconfidências. Ali, no fundo do vale, fica a comunidade da Ressaca que guarda um dos maiores tesouros do período colonial: a Capela da Ressaca com pinturas de Mestre Athaíde no seu teto. Também neste vale estão as impressionantes Ruínas do Loures, uma fortificação que existiu na confluência dos rios Ressaquinha e Alberto Dias, provavelmente onde funcionou um Registro da Coroa Portuguesa. Ali, os tropeiros e viajantes eram obrigados a desensacar as mercadorias que transportavam para serem fiscalizadas e, em seguida, reensacá-las. Daí o nome “Ressaca”, que deu origem à cidade de Ressaquinha, nascida onde se ergueu no início do século XVIII uma das primeiras fazendas das Minas do Ouro, a Fazenda da Costa da Mina.

Poderíamos ficar aqui descrevendo muitos outros atrativos da região em torno de Barbacena e se ampliássemos o raio de extensão desta região para 100 quilômetros teríamos de incluir as Serras de Ibitipoca, São José e Carrancas, ou ainda as dezenas de fazendas históricas de Santana dos Montes, bem como muitas outras maravilhas naturais e registros históricos, mas isso é assunto para outras reportagens.

 


Dimas Soares Ferreira é Professor da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, fotógrafo amador e praticante do mountain bike e do trekking. Administra a página Trilhas&Aventuras no Facebook (<https://www.facebook.com/pages/TrilhasAventuras>).