Saiba como se preparar para as mudanças no mercado de trabalho impostas pelo ano de 2020

O Covid-19 trará transformações profundas que precisam ser incorporadas pelos trabalhadores que pretendem adentrar aos empregos ou se recolocar no mercado. Confira algumas dicas para se reinventar neste momento difícil.

As projeções relativamente positivas para a economia brasileira em 2020 tomaram um duro golpe com a pandemia de coronavírus. No final de fevereiro, o país confirmou o primeiro caso de Covid-19 em seu território, ‘recebendo’ a doença que já se alastrava pela Ásia e pela Europa desde os meados de janeiro. Em março, os números começaram a escalar e o Brasil entrou na crise que já estava se instaurando em praticamente todo o mundo.

Com o fechamento de empresas por tempo indeterminado logo após a eclosão da pandemia, o quadro de desemprego, que já vinha mal nos últimos anos, acentuou-se ainda mais nos primeiros meses da ‘quarentena’. O país chegou a atingir a pior marca de nível de ocupação desde o início da série histórica do IBGE, em 2012, chegando a pouco mais de 50% da sua população acima de 14 anos.

Apesar da ligeira retomada no segundo semestre de 2020, a pandemia de coronavírus – que ainda está longe de acabar – deixará marcas no mercado de trabalho. O Covid-19 trará transformações profundas que precisam ser incorporadas pelos trabalhadores que pretendem adentrar aos empregos ou se recolocar no mercado. Confira algumas dicas para se reinventar neste momento difícil.

Aumento da competitividade

Foto: reprodução Pernambuco em Foco

Em evento promovido pela XP Inc., especialistas em negócios e empresários discutiram as principais tendências para o mercado no pós-pandemia. A queda no número de vagas disponibilizadas, principalmente nos primeiros anos de recuperação, acirrará ainda mais a concorrência pelos melhores postos de trabalho.

“O mercado está mais concorrido, por isso se alguém estiver com mais dificuldade, saiba que é normal e está mais difícil para todo mundo porque as empresas se retraíram na pandemia”, declarou o diretor-geral do LinkedIn, Milton Beck, em seu painel na Expert 2020.

Por sua vez, a forte concorrência no mercado de trabalho pedirá investimentos na qualificação dos profissionais, sobretudo nos setores já inflados. Logo, para além das formações acadêmicas, do inglês e das experiências, os candidatos deverão apresentar habilidades socioemocionais, como criatividade, dinamismo social e inteligência emocional para lidar com a crise.

Em entrevista durante o evento Expert 2020, o ex-jogador e astro da NBA, Earvin ‘Magic’ Johnson, falou sobre a capacidade de evoluir não somente enquanto profissional, mas também como pessoa; algo que pode fazer diferença nas relações do mercado de trabalho.

“Consigo identificar minhas forças e fraquezas e onde estão as oportunidades e ameaças. Tento sempre melhorar como empresário, mas também como pessoa, pai e marido”, comentou Johnson, deixando a dica para realizar análises constantes da própria personalidade e das ações que também influenciam na vida profissional.

Conexões internacionais

O home office forçado poderá dar lugar ao trabalho remoto, em que as empresas se baseiam completamente por relacionamentos profissionais online, sem a necessidade de um escritório físico. Isso abre a possibilidade para uma operação ainda mais internacionalizada. Sem precisar impor a mudança dos funcionários, companhias europeias podem contratar brasileiros, norte-americanos e africanos, por exemplo.

Para universalizar a comunicação, o inglês será ainda mais necessário como linguagem padrão nas relações de trabalho. Por isso, os brasileiros precisam se preparar. Atualmente, há ótimas opções de cursos online que ajudam a alcançar um nível alto de fluência no idioma sem precisar sair de casa, o que se torna fundamental em épocas de isolamento social. Aproveite e estruture os estudos o mais rápido possível para estar apto a abraçar as oportunidades que surgirem.

Interação constante com as telas

A nova dinâmica imposta pelo home office e pela mobilidade desafia os trabalhadores a se adaptarem à uma realidade mediada pelas telas. As funções que podem ser exercidas de maneira remota devem seguir esse caminho, e as reuniões presenciais serão substituídas por videochamadas nas mais diversas plataformas.

Logo, quem tiver dificuldades técnicas para utilizar o Google Meet ou o Skype, por exemplo, precisará aprender rapidamente. Não é necessário tornar-se um expert em computação, mas é vital alfabetizar-se digitalmente e lançar mão das ferramentas com fluidez no dia a dia.

Além da parte técnica de clicar em um lugar ou outro, ainda há o desafio de se expressar por meio das câmeras. É comum que muitos indivíduos apresentem dificuldade de falar por texto, email ou vídeo, preferindo o contato pessoal para transmitir ideias e até dar broncas. Porém, será necessário aprender e se adaptar, caso contrário, ficará difícil desenvolver um bom trabalho.

Nesse sentido, as empresas também têm sua parcela de responsabilidade no processo de adaptação, como cita a especialista em RH, Maria Luiza Nascimento, em entrevista ao G1.

“O grande desafio das empresas continuará a ser como manter todos os colaboradores engajados, mesmo distantes fisicamente. Para tanto, é necessária uma comunicação clara e frequente”, explica a profissional.

Realocação de funções e de horários

O período de desconfiança geral e crise financeira das empresas implicará também em propostas para alterações na carga horária de trabalho, nos valores de pagamento e nas próprias funções. Há locais que já apostaram em diminuir o quadro de funcionários e realocar as obrigações. Outros já preferem reduzir a carga – e juntamente o salário – e adaptar a demanda para continuar de portas abertas. 

Dessa maneira, há a espera por discussões mais profundas da flexibilização das relações de trabalho, principalmente nas normas da CLT. Tais questões podem ser benéficas no sentido de permitir o salvamento de empregos, mas também podem implicar em reduções significativas dos direitos do trabalhador. Os efeitos mais evidentes só serão percebidos com o decorrer da possível crise durante e após a pandemia.

De todo modo, a possibilidade de trabalhar em casa e em horário reduzido, pode favorecer o empreendedorismo. Quem antes gastava mais de uma hora para ir e quase duas para voltar do trabalho, pode utilizar o tempo para tirar da gaveta projetos antigos e postergados. No meio disso, tem a chance de se encontrar uma boa ideia e desenvolver uma empresa de sucesso. Então, a dica é simples: trabalhe também em seus projetos pessoais paralelamente ao emprego formal.

Uns crescem, outros não

É possível encontrar uma série de publicações já antigas sobre ‘os empregos do futuro’, permeadas por dados como o da Universidade de Oxford, declarando 45% dos empregos de 2030 ainda não existem. Em qualquer crise, essas ‘previsões’ se intensificam e começam as apostas para descobrir as principais tendências.

Assim, segundo o Sebrae, a bola da vez é a tecnologia. Os novos hábitos de consumo trarão espaço para o setor de vendas online, sobretudo com uma proposta mais consciente para os gastos. Desenvolvedores de plataformas para streaming e para reuniões podem ter boas oportunidades no futuro próximo. O mercado de saúde e qualidade de vida também é pautado como uma das trends.

As previsões são importantes para se entender o contexto atual. Porém, não quer dizer que será necessário trancar a faculdade de direito e aprender programação de computadores. A dica fundamental é investir em uma formação múltipla e que contemple diferentes aprendizados relacionados à própria área ou a setores semelhantes.

Porém, entenda que altos e baixos são comuns nas profissões. Abandonar sonhos e planos por conta de posts sobre tendências de mercado pode não ser a melhor solução para sua vida. Pelo contrário, procure tornar-se um profissional completo e mantenha seus objetivos.

Realidades diferentes

Muitas profissões migraram para o home office e estarão familiarizadas com boa parte das tendências futuristas para os próximos anos. Porém, o privilégio de trabalhar em casa não é recorrente para todos. Uma série de trabalhadores não pararam nem mesmo durante o ponto alto da pandemia, outros retomam aos poucos com a abertura gradual do comércio.

Nesse sentido, é também provável que o dia a dia de trabalho de muitas áreas não será, a priori, tão impactado assim pela tecnologia. Um balconista, por exemplo, pode ganhar mais aplicativos e softwares ao seu lado, mas continuará exercendo as funções de atender os clientes. Nesses setores, as mudanças estarão mais relacionadas às pessoas do que aos equipamentos.

Por mais que shoppings e espaços abertos de comércio venham restabelecendo os horários de funcionamento aos poucos, o ritmo de compra é diferente. Pelas restrições, muita gente não anda mais tranquilamente pelo shopping olhando vitrines. A tendência é que a pessoa tenha um objetivo bem claro ao sair de casa e chegue à loja para comprar o que a tirou de casa. Assim, as habilidades do vendedor terão que ser muito bem treinadas para aguçar as intenções do cliente e alavancar os negócios, trazendo uma necessidade maior de inteligência emocional do que em outros lugares.

Além disso, ainda há a adaptação aos meios de prevenção ao vírus, como higienização constante e uso de máscaras. É extremamente necessário que a empresa passe um visual clean e cuidadoso para os clientes, já que as pessoas não irão querer adentrar a um ambiente sem segurança. Logo, cuidar da higiene pessoal será um aprendizado para os funcionários que estão na ‘linha de frente’ dos atendimentos.


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