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20/08/2019

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Jornal Folha de São Paulo denuncia tentativa de fechamento do CHPB em Barbacena

A situação de desospitalização dos pacientes do CHPB toma proporções nacionais e se torna destaque na Folha de São de Paulo, jornal de circulação nacional. Funcionários e pacientes protestam. Município precisa de mais verba para receber estes pacientes em casas terapêuticas. Saiba mais...

ESPECIAL FOLHA

Folha de São Paulo denuncia tentativa de fechamento do CHPB em Barbacena

0001 Chpb Manoel

Foi publicado nesta quarta-feira, dia 22, nas versões impressa e online do Jornal Folha de São Paulo, matéria do jornalista José Marques, que veio a Barbacena especialmente para escrever sobre a tentativa do governo de Minas Gerais de encerrar as atividades do Centro Hospital e Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), que faz parte do complexo hospitalar da rede Fhemig, pertencente ao governo de Minas Gerais, e que já foi o maior manicômio de Minas Gerais.

Na matéria, intitulada "Sob protestos, MG tenta acabar com manicômio que já foi o maior do Brasil", José Marques e o fotógrafo Eduardo Knapp, da Folhapress, retratam o definhar do antigo Hospital Colônia e seus pacientes remanescentes, como Sueli da Silva, que hoje tem 59 anos e mora desde os 10 no CHPB. Diagnosticada com esquizofrenia paranoide, é considerada apta a deixar o instituto e ser gradualmente reintegrada à sociedade, mas ela não tem para onde ir. Segundo a reportagem de José Marques, "o centro, gerido pelo Estado, quer levar Sueli e outras 79 pessoas para viver em casas adaptadas à moradia de ex-­internos, acompanhados de um cuidador. Mas as residências são custeadas pelo município, que afirma não ter dinheiro para bancar a mudança e pede a ampliação de repasses de verbas federais. Apesar de uma lei de 2001 determinar que moradores de longo tempo de hospitais psiquiátricos sejam "objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida", o centro de Barbacena continua com 149 internos sem previsão de saída."

Assim como Sueli, a reportagem mostra casos como de Perciliana dos Santos, 96 anos, que está no CHPB desde 1945. Em 2004, 46 pacientes antigos chegaram a receber alta do centro, mas desde 2006 este número não ultrapassa dez pessoas. "De 2015 a 2016 foram apenas três, embora uma manobra contábil diga que foram mais. Na verdade, o número excedente era de recém transferidas de um hospital particular e que tinham prazo para deixar a instituição", fala a reportagem.

A matéria do jornal Folha de São Paulo não deixa de fora as referências ao passado que se tornou mais conhecido ainda depois do sucesso de Daniela Arbex com o 'Holocausto Brasileiro', e parte da história é narrada para ilustrar como pessoas como Sueli e Perciliana chegaram até ali e ficaram até hoje. Sueli, era uma das crianças que ali foram internadas e abandonadas por suas famílias. Ainda hoje, a maioria não tem familiares reconhecidos.

José Marques conta em sua reportagem sobre a situação sucateada do CHPB nos dias atuais: "Nos últimos 30 anos, o hospital sofreu uma reformulação e passou a dar o que chama de 'tratamento humanizado'. Sem superlotação, ainda sofre com sucateamentos comuns ao serviço público –uma antiga ambulância foi improvisada como carro de transporte de alimentos, por exemplo. Dos 149 pacientes crônicos, os 80 que podem sair estão em melhores condições clínicas. Os internos vivem em módulos onde dormem 15 pessoas, têm assistência médica e refeições em horários determinados. Eles podem andar pelas instalações do centro, exceto os que estão na ala dos 'mais crônicos', que costumam fugir ou têm comportamento violento. Esses ficam cercados por grades. "Estou preso na escola. Me prenderam de novo", riu o interno Francisco Santana, 56, de trás das grades. Ex-­alcoólatra e com crises de psicose, ele é mantido no módulo cercado porque costuma 1andar até se perder'."

Funcionários e pacientes protestam

E a Folha não se limita a falar da situação dos pacientes, uma das grandes preocupações atuais dos gestores de saúde e assistência do município, e reitera a questão dos funcionários do CHPB, a mesma que o BarbacenaMais já destacou e registrou ao longo dos últimos protestos e greve. "Parte dos funcionários tem feito campanha para que os internos sejam mantidos no centro. Para eles, estão em melhor condição no instituto do que nas residências. 'Aqui eles passeiam, vão ao restaurante. Lá nas casas ficam sem fazer nada. A gente tinha uma paciente, a Cremilda, que saiu daqui andando, mas hoje está acamada", diz a técnica de enfermagem Fátima Tertuliano. Outra parte discorda. 'Imagina que, nas residências, se eles querem tomar café depois do horário do almoço, podem. Não vão ficar com a caneca na mão a tarde inteira. Aqui todo mundo é igual por uma questão de economia, não têm suas singularidades reconhecidas', afirma a enfermeira Daniela Viana.'

José Orleans da Costa recebeu o repórter da Folha José Marques e explicou a ele a situação vivida por Barbacena. "O município atualmente tem 32 casas para ex­-pacientes psiquiátricos, com 220 pessoas morando nelas. Cada uma custa entre R$ 1.000 e R$ 2.000. "Com o dinheiro que tenho hoje não consigo receber mais ninguém. O Ministério da Saúde está quite conosco, mas para habilitar mais residências tem que vir novos recursos", afirma o secretário da Saúde de Barbacena, Orleans Costa. Segundo ele, os funcionários que protestam contra a desinstitucionalização do hospital estão "com medo de perder o emprego" e "deturpam o que a lei prevê", mas serão reaproveitados em outras unidades hospitalares. A Fhemig (Fundação Hospitalar de Minas Gerais) afirma que "há serviços, com perspectiva de expansão, que podem abrigar os trabalhadores". Ainda não se sabe o que será feito das instalações do centro.

Ao final da reportagem, o choro de Sueli, a resignação do diretor que sabe que ainda há muito serviço a ser feito e a resposta do Ministério da Saúde: "Apesar de ser a prioridade na fila para transferência às residências, Sueli da Silva não quer ir embora. 'Nem me pergunte isso. Não faça isso comigo, pelo amor de Deus', gritou, e começou a chorar ao ser questionada se queria viver em outro lugar. Ao seu lado, o diretor do hospital, Wander Lopes, afirma: 'É... Por isso que não dá para ser imediato. Ainda temos um longo trabalho para convencer aos poucos cada um deles". Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que repassa R$ 651,1 mil mensais para a Rede de Atenção Psicossocial de Barbacena. Esse valor, diz a pasta, teve aumento de R$ 76 mil em dezembro de 2016 para a habilitação de mais cinco unidades residenciais, elevando o total a 27 casas na cidade. Segundo o ministério, não há novos pedidos de ampliação do serviço de atendimento psicossocial de Barbacena'.


A reportagem na íntegra você lê em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/02/1860876-sob-protestos-mg-tenta-acabar-com-manicomio-que-ja-foi-o-maior-do-brasil.shtml

Foto: imagem da internet/ Paciente Manoel, um dos meninos de Oliveira, interno da Fhemig. 

 

 

 


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